Título: Desemprego já atinge 74,5 milhões de jovens no mundo
Autor: Carneiro, Lucianne
Fonte: O Globo, 22/05/2012, Economia, p. 25
Preocupante, sério e dramático são alguns dos adjetivos usados por especialistas para descrever a atual situação do desemprego juvenil no mundo. Os números divulgados ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) comprovam o cenário sombrio para os jovens e dão um recado ainda mais desolador: não há perspectiva de melhora nos próximos anos.
A taxa de desemprego dos trabalhadores entre 15 e 24 anos foi de 12,6% no mundo em 2011 e deve ficar em 12,7% este ano, segundo a OIT. O desempenho é muito próximo dos 12,6% registrados em 2009, no ponto mais alto da crise econômica. A entidade prevê que a taxa se mantenha neste nível pelo menos até 2016.
O quadro é mais grave quando se trata das economias desenvolvidas e da União Europeia. Hoje em 18%, esse desemprego deve ter apenas leve recuo até 2016, para 16%. Para a OIT, são "níveis dramáticos". Em 2000, a taxa mundial era 12,7%, mas a dos países desenvolvidos e da Europa era muito inferior ao nível atual, de 13,5%. Dados da Eurostat - agência oficial de estatística da União Europeia (UE) - que se referem às realidades nacionais são ainda mais elevados. Na Grécia e na Espanha, mais da metade dos jovens não trabalham, com taxas de 51,2% em janeiro e 51,1% em março, respectivamente. Na América Latina, as taxas são menores, mas ainda assim elevadas. O relatório da OIT revela que o desemprego na região foi de 14,3% em 2011 e prevê que fique estável este ano. Até 2016, deve oscilar entre 14,4% e 14,6%.
Desemprego entre jovens
é até 3 vezes maior
No mundo, há hoje 74,5 milhões de jovens sem trabalho, quatro milhões a mais que em 2007. Entre os adultos - aqueles com mais de 25 anos - a taxa de desemprego mundial foi de 4,5% em 2011, com 127,9 milhões de pessoas no grupo.
- O desemprego entre os jovens é geralmente maior que entre adultos. Quem está entrando no mercado costuma ter mais dificuldades para conseguir uma vaga. A questão é que o desemprego juvenil passa por uma situação séria hoje, com taxas muito elevadas - diz o professor do Instituto de Economia da UFRJ João Saboia.
Tradicionalmente, o desemprego é maior entre os jovens - a relação costuma ser entre duas a três vezes maior - seja pelo fato de estar entrando no mercado, a falta de experiência, o menor conhecimento dos empregadores ou até porque são os primeiros a serem demitidos na hora de cortes. Quando há uma crise, se os empregos em geral são afetados, o dos jovens têm maior impacto.
- O desemprego é preocupante e a crise tem origem lá atrás, com a entrada da China na Organização Mundial do Comércial (OMC) e sua transformação em um dos maiores exportadores do mundo, trazendo um choque de produtividade no mundo. A crise econômica (de 2008) potencializou esse problema. E os jovens sentem mais - afirma o professor da PUC-Rio e economista da Opus Gestão de Recursos José Marcio Camargo.
Para o economista, o mundo desenvolvido passa por uma mudança de estrutura econômica, que o obriga a se tornar mais competitivo, e que se reflete num nível maior de desemprego. Processo de ajuste pelo qual o Brasil passou nos anos 90 e a Alemanha, após a reunificação.
No Brasil, segundo os últimos dados do IBGE, de março, a taxa de desemprego entre quem tem de 18 a 24 anos é de 14,5%. Na faixa etária entre 15 e 17 anos, a taxa é de 24,6%.
- Isso vai acontecer na Europa e nos EUA. É um problema estrutural e, por mais que haja políticas de trabalho ativas e agressivas, vai demorar a ser solucionado - diz Camargo.