Título: A proliferação das quitinetes
Autor: Schmidt, Selma; Araújo, Vera
Fonte: O Globo, 20/05/2012, Rio, p. 18

A série "Favela S/A", publicada pelo GLOBO em 2008, mostrou que ex-moradores dominam o mercado de quitinetes em comunidades. Dos cinco maiores "tubarões da construção civil" na Rocinha, por exemplo, só um continuava vivendo na favela. Quatro tinham ido morar na Barra, em Jacarepaguá e São Conrado.

Adeir Tostes Faria, dono dos prédios onde funcionam o Bob's e a Microlins na Rocinha, optou pelo Wonderful Ocean Suites, na Barra. Gonçalo Waldemar Evangelista, o Waldemar do Gás, também foi para a Barra. Mário José Rezende de Seixas, o Marinho - proprietário do edifício onde fica o Bradesco -, mudou-se para São Conrado. Já Julian Lopes Pereira, o Julinho, foi para Jacarepaguá.

Antônio Baía Rosa Filho, que ergueu o prédio mais alto da Rocinha (o "Empire State", de 11 andares, denunciado pelo GLOBO), não saiu da favela. Ao lado, construiu mais dois espigões. Em março de 2009, O GLOBO localizou o "Minhocão" da Rocinha, que fora embargado dois anos antes. Após briga judicial, a prefeitura pôs abaixo o prédio.