Título: China com nova imagem na Rio+20
Autor: Oswald, Vivian
Fonte: O Globo, 20/05/2012, Economia, p. 42

Segundo embaixador chinês no Brasil, país quer mostrar que vai abandonar modelo predatório

A China aproveitará o cenário da Rio+20 para tentar consolidar sua nova imagem de país preocupado com a sustentabilidade. A ideia é mostrar ao mundo que o dragão chinês vai continuar crescendo a passos largos, porém em um ritmo que leve em conta a economia de energia e a redução das emissões de gases de efeito estufa. Esta é a mensagem que o primeiro-ministro, Wen Jiabao, deverá trazer ao Brasil durante o encontro que reunirá as autoridades das principais nações do planeta no Rio.

Em entrevista ao GLOBO, o novo embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, afirmou que, apesar do nervosismo que se deu nos mercados financeiros com a revisão para baixo da meta para o Produto Interno Bruto do país este ano - previsão que ficou em 7,5% - o principal objetivo da medida foi "mudar o modelo de crescimento, que antes era baseado em demanda e agora em melhorar o conteúdo".

- Vamos abandonar o modelo de desenvolvimento predatório, baseado em gastos demais de energia e poluição do meio ambiente. Queremos trabalhar com economia de energia, redução de emissões e orientados pela inovação e investimento em alta tecnologia e qualidade do desenvolvimento humano - disse Jinzhang, no suntuoso salão de visitas da residência oficial em Brasília.

"Economia chinesa enfrenta

grandes desafios"

Há pouco mais de três meses no Brasil, este ex-vice-ministro da China para América Latina acompanhou a reação negativa da Bolsa de Valores de São Paulo ao anúncio de redução da meta do crescimento chinês para este ano e garantiu que não há motivo para preocupação. Segundo o embaixador, a taxa acumulada no primeiro trimestre de 2012 foi de 8,1% e ainda está no topo do ranking mundial:

- A economia chinesa está enfrentando também grandes desafios, mas podemos dizer que a China está com condições favoráveis para manter por bastante tempo um desenvolvimento econômico seguro e relativamente rápido. Não há motivo para preocupação.

Jinzhang, no entanto, admite que a atual situação da economia global está muito severa e os fatores de incertezas e instabilidade estão aumentando.

- Especialmente com o processo de mudança e transição do crescimento econômico provocado pela crise financeira. Pode demorar bastante tempo para a economia mundial sair da recessão. As perspectivas de recuperação de curto prazo não são boas.

Nos últimos anos, o governo chinês tem promovido a poupança de energia e a redução de emissões através de evolução tecnológica e científica. Durante o período do 11º Plano Quinquenal, os orçamentos para tais projetos ultrapassaram o equivalente a US$ 1,6 bilhão.

O Ministério da Ciência e Tecnologia da China estaria apostando na inovação e na evolução de técnicas e estudos justamente de olho na sustentabilidade para superar dificuldades nas áreas de energia renovável e de uso eficiente e limpo dos combustíveis fósseis.

Para Banco Mundial,

foco nas cidades

Por enquanto, segundo estatísticas do governo, o país ocupa o primeiro lugar do mundo no volume de investimentos para energias renováveis, que no ano 2010 correspondeu a mais de US$ 48 bilhões.

Relatório divulgado na quinta-feira pelo Banco Mundial (Bird) afirma que, ao escolher o caminho do crescimento com baixas emissões de carbono, a China deve ter por foco as cidades. Isso porque elas têm condições de ajudar o país a cumprir as suas metas de redução de energia e intensidade das emissões na economia, além de se tornarem locais mais agradáveis, eficientes e competitivos. Segundo o documento, as cidades contribuem com 70% das emissões de gases de efeito estufa: "a estimativa de que as cidades chinesas receberão mais 350 milhões de habitantes nos próximos 20 anos mostra a necessidade de ação urgente.