Título: G-8 defende imperativo do crescimento
Autor: Godoy, Fernanda
Fonte: O Globo, 20/05/2012, Economia, p. 46

Campanha da Alemanha por austeridade fiscal perde força. Comunicado apoia permanência da Grécia no euro

OBAMA (AO centro) acena entre Hollande e Merkel: americano pressionou por defesa do crescimento

Charles Dharapak/AP

NOVA YORK. Os líderes do G-8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo e Rússia), afirmaram ontem que seu "imperativo é promover o crescimento e a geração de empregos", em comunicado divulgado após discussões em Camp David, residência de campo da presidência dos Estados Unidos. O texto defende a permanência da Grécia na zona do euro e, embora mantendo o compromisso com o equilíbrio fiscal, afirma que "as medidas certas não são as mesmas para cada um de nós".

A redação final do texto, que abriu com a frase sobre o "imperativo do crescimento" por pressão da Casa Branca, refletiu a perda de força da abordagem com ênfase na austeridade fiscal, defendida pela chanceler alemã, Angela Merkel. Na reunião anterior do G-8, em novembro de 2011, o então presidente da França, Nicolas Sarkozy, havia se aliado a Merkel para defender uma linha de disciplina fiscal que "enquadrasse" países da zona do euro, como Itália e Grécia.

Na reunião deste fim de semana, a primeira com o novo presidente da França, o socialista François Hollande, o equilíbrio dentro do G-8 se modificou. "Concordamos em relação à importância de uma zona do euro forte e coesa para a estabilidade e a recuperação globais, e afirmamos nosso interesse em que a Grécia permaneça na zona do euro, respeitando seus compromissos", diz o texto do comunicado.

Na sexta-feira, quando os líderes chegaram a Camp David, Obama recebeu Merkel de braços abertos, perguntando como ela havia passado. Ela deu de ombros e fez um muxoxo.

- Bem, você está com a cabeça cheia de coisas - respondeu Obama, sorrindo.