Título: Preso, prefeito de Alagoas despacha na prisão
Autor: Rios, Odilon
Fonte: O Globo, 24/05/2012, O País, p. 3
MACEIÓ . Um dia após se entregar ao Tribunal de Justiça para ser preso por corrupção, o prefeito da cidade de Rio Largo, Toninho Lins (PSB), começou a despachar de uma cela da Academia da Polícia Militar, no bairro do Trapiche da Barra, em Maceió, a 25 km da sede da Prefeitura. A situação ocorre porque, embora, o desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas, Otávio Leão Praxedes, tenha determinado a prisão do prefeito, a lei orgânica do município - dizem seus advogados - garante que pelas próximas duas semanas ele continue a exercer o mandato, mesmo dentro da cadeia. A situação da cidade é bastante delicada, pois todos todos os vereadores da cidade também foram presos, por integrarem o esquema do prefeito. Só após os quinze dias, o vice pode assumir o cargo.
- Não houve qualquer determinação do desembargador que decretou a prisão de que o prefeito fosse afastado das suas funções, por isso, o entendimento é de que, mesmo recolhido à prisão, ele continua à frente do cargo - disse o advogado de defesa, Marcelo Brabo Magalhães.
O chefe de gabinete da Prefeitura de Rio Largo, Genivaldo Holanda Cavalcante, explicou que todos os secretários manterão a rotina de trabalho e que os casos que necessitam da intervenção do prefeito serão resolvidos por ele, da Academia de Polícia Militar.
- A lei permite e assim será feito, para que possamos garantir a rotina de Rio Largo. Como acordado, o prefeito vai despachar enquanto estiver detido - explicou Cavalcante.
O prefeito se entregou, discretamente, ao desembargador no final da tarde de terça-feira. Seus advogados assinaram um termo em que ele abria mão do exame de corpo de delito e foi conduzido a Academia da PM. Ontem, o prefeito foi afastado do PSB por decisão da Executiva Estadual.
Segundo o Ministério Público Estadual, Lins e vereadores são acusados de vender um terreno público de 252 hectares, sem licitação, por R$ 700 mil quando o valor de mercado da propriedade seria de R$ 21 milhões. Antes da venda, a área seria anteriormente destinada à construção de casas populares para desabrigados das enchentes de junho de 2010. ( *Especial para O GLOBO