Título: Ex-diretor da Delta manejava 10 contas
Autor: Lima, Maria
Fonte: O Globo, 24/05/2012, O País, p. 10

BRASÍLIA. Parlamentares que tiveram acesso aos documentos envolvendo a Delta e o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, informaram ontem que Cláudio Abreu, ex-diretor da empresa na região Centro-Oeste, tinha poderes para movimentar dez contas da construtora em todo o país, incluindo a sede, no Rio. Significa que o esquema Cachoeira-Claudio Abreu pode ter se estendido por todas as regionais da empresa, além da regional Centro-Oeste e da sede, o que reforça a necessidade de a CPI mista do caso Cachoeira investigar todos os negócios da construtora.

Anteontem, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) já havia afirmado que há cheques emitidos pela Delta nacional e assinados por Abreu - ou seja, o diretor regional ligado ao bicheiro tinha procuração para movimentar a conta da sede. Agora se sabe que tem procuração para movimentar dez contas da empresa. Um parlamentar da própria base do governo reconhecia ontem, diante desse dado, que agora será inevitável investigar toda a empresa, e não mais apenas a regional Centro-Oeste.

Na reunião da CPMI anteontem, pego de surpresa pela declaração de Onyx, o relator Odair Cunha (PT-MG) afirmou que já tinha conhecimento da informação. Para ele, os documentos indicam que a Delta nacional tinha conhecimentos da atuação de Abreu em parceria com o contraventor goiano. Ele declarou que as contas da empresa foram utilizadas para transferir recursos para empresas em nome de laranjas, ligadas ao esquema de Cachoeira.

Hoje, a CPI faz mais uma sessão pública, e, diante do sinal de que todos os denunciados por envolvimento com Cachoeira devem se calar, a direção da comissão decidiu partir para a oitiva de testemunhas. Como elas não sofreram acusações na Justiça, a CPI espera que falem. O primeiro nome escolhido foi o do presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jaime Rincón, que deve depor na comissão na terça-feira.

- Traçamos novas alternativas, e isso já muda e apressa o roteiro - explicou o presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), que disse ter tentado que os depoimentos começassem hoje. - Tentamos convocar (as testemunhas), mas esbarramos na decisão jurídica de que a convocação tem de ser feita com um prazo mínimo de 48 horas.