Título: BC diverge de IBGE sobre alta de tarifa
Autor: Carneiro, Lucianne
Fonte: O Globo, 23/05/2012, Economia, p. 22

Serviços bancários subiram o triplo da inflação. IPCA-15 ficou em 0,51% em maio

O Banco Central (BC) pediu ao IBGE explicações sobre os números de aumento das tarifas bancárias, apontados na pesquisa sobre o IPCA-15, índice que é uma prévia da inflação oficial. Dados divulgados ontem pelo instituto mostraram que o setor bancário parecia estar respondendo à pressão da presidente Dilma Rousseff para baixar os juros com o aumento de tarifas: em maio, a alta foi de 1,66% ante um aumento de 0,51% da inflação. Seria o maior reajuste de tarifas desde julho de 2011.

No ano e em 12 meses, as tarifas teriam superado o índice. Tais informações surpreenderam técnicos do BC. A autoridade monetária informou que não registra um aumento generalizado de preços de serviços desde 2007. E afirma que a receita que os bancos têm com essas taxas de serviço por cliente tem caído nos últimos meses.

A explicação para a diferença de resultados é que o IBGE capturou um aumento de tarifas para clientes que pagam menos que as tarifas máximas, já que essas não são modificadas há vários meses. Entre março e abril, correntistas de algumas instituições pagaram mais por confecção de cadastro, exclusão do cadastro de emitentes de cheques sem fundos e fornecimento de folhas de cheques. Mas de abril para maio não houve aumento pontual. Pelo contrário, a média das tarifas cobradas por saques, por exemplo, diminuiu.

A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) argumenta que a elevação do preço dos serviços bancários se deve ao aumento da base de clientes, que cresceu 12,5% desde 2008, e do número de transações bancárias, 33,5% maior no período.

Dados da consultoria Economática pedidos pelo GLOBO mostram que as receitas com serviços bancários subiram nos quatro maiores bancos do país neste ano. Eles saltaram de R$ 11,81 bilhões, no primeiro trimestre do ano passado, para R$ 14,56 bilhões, nos primeiros três meses deste ano. O Banco do Brasil foi o que mais elevou as receitas.

Para o vice-presidente da Associação dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel de Oliveira, nem o aumento de clientes nem o da inadimplência justificam a elevação dos preços das tarifas. Segundo ele, os preços cobrados aos clientes têm relação com os custos dos bancos e com a variação da inflação.

- Quando houve pressão do governo para baixar juros, os bancos compensaram as perdas aumentando tarifas - afirma.