Título: Terceiro lugar no Egito quer recontagem
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Fonte: O Globo, 27/05/2012, O Mundo, p. 44

CAIRO . O candidato que terminou em terceiro lugar no primeiro turno das eleições presidenciais egípcias reivindicou ontem uma recontagem parcial dos votos, depois de denunciar supostas irregularidades na votação. Hamdeen Sabahi ficou de fora da rodada decisiva, que será realizada em 16 e 17 de junho, por uma margem de 700 mil votos.

O porta-voz de Sabahi, Hossam Mounis, disse que a equipe da campanha encontrou muitas evidências de infrações durante os dois dias de votação, o que poderia afetar os resultados finais. Embora tenha se negado a detalhar as irregularidades, Mounis afirmou que apresentaria, hoje, uma impugnação.

Sabahi conquistou 21,5% da preferência do eleitorado do primeiro turno. O candidato da Irmandade Muçulmana, Mohamed Mursi (que teve 25,3% dos votos), e o ex-primeiro-ministro Ahmed Shafiq (24,9%) seguem na corrida pela Presidência egípcia. A disputa pela liderança entre ambos gerou, entre setores da sociedade, o temor de que eles pudessem anular os avanços democráticos obtidos desde o movimento popular que, no ano passado, derrubou o ditador Hosni Mubarak. Shafiq, porém, homenageou ontem o levante, que chamou de "gloriosa revolução" - uma reviravolta radical, considerando-se que ele fora funcionário do antigo regime.

Mursi, por sua vez, convocou uma reunião com seus correligionários para "lidar com os desafios que enfrenta a nação".

O ex-presidente americano Jimmy Carter, que chefia uma delegação de observadores internacionais no Egito, elogiou ontem a organização das eleições, classificando-as como "encorajadoras", apesar de seu grupo não ter sido autorizado a assistir à apuração dos votos em algumas comissões regionais. Ainda assim, para ele, "em geral, não houve um padrão que mostrasse favorecimento de algum candidato".