Título: Tramitação das medidas preocupa Dilma
Autor: Damé, Luiza
Fonte: O Globo, 26/05/2012, O País, p. 3
BRASÍLIA. Na reunião com líderes e ministros ontem cedo, antes do anúncio dos vetos, a presidente Dilma Rousseff mostrou grande preocupação em explicar muito bem as mudanças do Código Florestal tanto para a opinião pública - e dizer por que não atendeu aos apelos da campanha "Veta tudo, Dilma" - quanto para o Congresso, onde a tramitação das medidas complementares pode encontrar resistências na própria base. Uma cartilha com todos os dados usados para subsidiar os vetos e alterações está sendo editada e será divulgada segunda-feira junto com a publicação das medidas.
Na quinta-feira da próxima semana, ela reunirá o Conselho Político e ministros para dar todas as respostas a dúvidas que existirem, para pavimentar a tramitação no Congresso sem reação de ruralistas e ambientalistas. Sobre a Rio+20, Dilma acha que agora estará ancorada pelas mudanças, que acabam com qualquer possibilidade de anistia, ou possibilidade de aumentar as áreas desmatadas. Sobre a campanha "Veta tudo, Dilma", ela disse reconhecer que o texto aprovado tem avanços e que seria um desrespeito a todo o esforço feito pelo Congresso, por órgãos de controle, ambientalistas e ruralistas.
- Vetar tudo seria reconhecer que nada do que foi aprovado prestava. E houve avanços significativos, principalmente na proteção dos manguezais - argumentou Dilma durante a reunião, segundo relato de participantes.
Sobre as mudanças que protegem os pequenos produtores - batizada de escadinha -, Dilma explicou que era preciso dar um novo enfoque para o desenvolvimento sustentável.
- Seria impossível trabalhar um Código Florestal sem que se levasse em conta a manutenção das áreas de produção, a justiça social e o equilíbrio ambiental e econômico - disse Dilma.
Segundo os interlocutores da presidente, ela convocou os ministros da área e o advogado geral da União, Luís Inácio Adams, para repassar linha por linha o texto do Código Florestal aprovado no Congresso e ver que modificações poderiam ser feitas com equilíbrio.
- A presidente Dilma, de forma inusitada, debruçou-se pessoalmente com a equipe nas duas últimas semanas para tomar sua decisão - disse o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM).
Antes da reunião do Conselho Político, na quinta-feira, haverá reuniões preliminares da ministra Ideli Salvatti ( Relações Institucionais), Mendes Ribeiro (Agricultura), Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário) e Adams com líderes para discutir previamente as medidas e os vetos. A presidente Dilma quer aplacar a ira dos parlamentares que acham que ela passou por cima das deliberações do Congresso.