Título: Outras duas empresas fizeram saque
Autor: Menezes, Maiá; Roxo, Sérgio
Fonte: O Globo, 26/05/2012, O País, p. 12

SÃO PAULO e BRASÍLIA. De maio de 2010 a abril de 2011, a Delta repassou R$ 26.247,052 à RCI Software e Hardware Ltda - apenas R$ 3.100 de tudo o que foi movimentado não vieram da Delta. Segundo a investigação, que quebrou o sigilo da empresa, a Pantoja não apresentou declaração de Imposto de Renda em 2010. No Rio, reportagem do GLOBO mostrou ontem que empresas que sacaram dinheiro na Brava Construções - capitalizada com 98% de recursos da Delta - têm sócios laranjas.

Outras duas empresas de São Paulo também sacaram dinheiro da Pantoja. A Camarada Comércio foi beneficiada por R$ 303 mil. A empresa tem sede em um prédio comercial, também na região da Avenida Paulista. Pelo número do conjunto registrado, a Camarada deveria ficar no 15 andar do edifício, mas o prédio só tem 14 andares. Já a Safira Tecnologia e Comércio recebeu R$ 87 mil. A empresa funciona na Zona Leste de São Paulo. O sócio majoritário da empresa não estava no local na tarde de ontem.

Justiça tira Delta

de coleta de lixo no DF

O juiz Carlos Alberto da Silva, da 1 Vara da Fazenda Pública, cassou a liminar que mantinha a Delta Construções à frente de dois contratos para o recolhimento do lixo do Distrito Federal. A empresa ainda pode recorrer, mas se a decisão for mantida a Delta deverá ser substituída pelas concorrentes Sustentare (ex-Qualix) e Valor Ambiental. Os dois contratos são da ordem de R$ 470 milhões. Esta seria a maior perda financeira da Delta desde o surgimento do escândalo sobre o envolvimento de dirigentes da empresa com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Pela decisão do juiz, assinada na semana passada, a empresa usou um atestado de capacidade falso para entrar na disputa. A chamada certidão de acervo técnico apresentada pela empresa foi considerada "ilegal" pelo Tribunal de Contas de Tocantins. O documento teria sido emitado pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do estado com base em um contrato entre a empresa e a prefeitura de Palmas.

Segundo o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), da CPI do Cachoeira, uma simples revisão dos cálculos do lixo recolhido forçou a redução dos valores mensais repassados à empresa de R$ 2 milhões para R$ 600 mil. A mudança foi feita depois do escândalo e antes da decisão da Justiça de cassar a liminar da empresa. O porta-voz do governador Agnelo Queiroz (PT), Ugo Braga, afirmou que o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) já consultou a Valor Ambiental e a Sustentare sobre a possibilidade das duas empresas assumirem de vez a coleta de lixo em Brasília.

As empresas disseram que estão prontas para assumir o lugar da Delta. (Maiá Menezes e Sérgio Roxo. Colaborou Jailton de Carvalho )