Título: Façam o que eu digo
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Fonte: O Globo, 29/05/2012, Economia, p. 22
PARIS e WASHINGTON . A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, defende que os gregos paguem seus impostos - mas ela própria não o faz, revelou ontem o jornal francês "Le Monde". Isso apesar de seu salário anual ser 380.939, o equivalente a cerca de R$ 76 mil mensais.
Citando o site Tout sur les Impôts (Tudo sobre os Impostos), o "Monde" ressalta que a situação de Lagarde é perfeitamente legal. Ela se beneficia do fato de ser uma funcionária internacional: o que ela recebe do FMI é isento de impostos.
Essa condição foi estabelecida pelos artigos 34 e 38 da Convenção de Viena, de 1961, que rege as relações diplomáticas. Pelo documento, "o agente diplomático é isento de quaisquer impostos e taxas, nacionais, regionais ou comunais".
O site Tout sur les Impôts lembra ainda que o FMI também aplica a Convenção sobre os Privilégios e Imunidades dos Institutos Especializados, que data de 1947. Esta estende aos funcionários do organismo os direitos fiscais concedidos a quem trabalha na Organização das Nações Unidas (ONU).
Apesar da legalidade da isenção fiscal, houve quem criticasse a posição não apenas de Lagarde, mas do próprio Fundo. O colunista do periódico on-line "Digital Journal" Alexander Baron lembra que o FMI costuma receitar austeridade aos governos, mas não é nada austero em suas despesas. Os altos executivos do organismo só andam de limusine e, quando em viagem, hospedam-se em hotéis com diárias acima de 700.