Título: PT convoca os militantes para desbaratar manobra contra Lula
Autor: Herdy, Tiago; Braga, Isabel
Fonte: O Globo, 30/05/2012, O País, p. 4
SÃO PAULO e BRASÍLIA. O presidente do PT, Rui Falcão, divulgou ontem, no site do partido, vídeo em que conclama a militância petista a defender o ex-presidente Lula na guerra de versões sobre o teor da conversa que ele teve com o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes.
"A militância do PT tem que estar atenta às manobras que ocorrem nesse momento tentando comprometer o presidente Lula", começa o discurso de Falcão, sobre a acusação de que Lula teria sugerido a Mendes que atuasse pelo adiamento do julgamento do mensalão.
Falcão argumenta que ministros do STF não seriam suscetíveis a pressões e que seus julgamentos seriam pautados pelos autos processuais.
"A quem interessa envolver o presidente Lula nesse tipo de conversa, cujo conteúdo já foi desmentido pelo presidente com muita indignação e também pelo ex-ministro Nelson Jobim?", diz o dirigente, referindo-se ao anfitrião do encontro entre Lula e Gilmar Mendes, Nelson Jobim, que negou ter ouvido pressões de Lula envolvendo o mensalão.
Para o dirigente petista, o objetivo da guerra de versões é "embaralhar as conclusões da CPMI do Cachoeira", que segundo ele "pretende desvendar todos os crimes da organização criminosa que se formou com uma base muito forte no estado de Goiás".
Para Falcão, trata-se de manobra realizada no momento em que "a CPMI se prepara para convocar o governador Marconi Perilo, do PSDB, envolvido em graves denúncias de participar da organização criminosa", no seu entendimento.
"Vamos ficar atentos e desbaratar mais essa manobra daqueles que querem desmoralizar o PT e o presidente Lula com nítidos objetivos eleitoreiros", conclui, no vídeo, Falcão.
Em Brasília, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), saiu também em defesa de Lula. Maia disse ter dúvidas sobre o comportamento de Gilmar e disse não crer na versão dada por ele. Segundo Maia, é inevitável que políticos perguntem a ministros do STF sobre o julgamento do mensalão.
- Não acredito que o presidente Lula tenha expressado ou tratado o assunto como foi relatado pelo ministro. Tenho dúvidas sobre o comportamento do ministro, que só veio tratar disso um mês após a reunião - afirmou Maia. - É inevitável para o mundo da política, em qualquer encontro que se tenha com alguém do STF, perguntar como andam os debates e discussões sobre o julgamento do mensalão, porque isso tem impacto na política e no debate eleitoral que teremos ainda neste ano. As discussões com ministros são naturais. Já estive em encontros onde o tema aconteceu.
O presidente da Câmara fez questão de apresentar aos jornalistas, em coletiva no Salão Verde, sua opinião sobre a polêmica. Como ninguém havia perguntado sobre isso, ele indagou se não iriam perguntar. Maia reclamou do que chamou de politização do julgamento do mensalão. Segundo ele, a politização do tema é prejudicial:
- Todas as vezes em que vêm à tona matérias, entramos na politização. É prejudicial que se faça um julgamento pela politização ou contaminado pelas eleições. Estamos num caminho equivocado quando dizemos que há pressões ou que estão tentando acelerar o julgamento. Todos devemos defender que haja o julgamento, mas da maneira mais transparente possível.