Título: Índice que corrige aluguel sobe 1,2% no mês
Autor: Scrivano, Roberta
Fonte: O Globo, 31/05/2012, Economia, p. 28
SÃO PAULO . Puxado pelo dólar, que teve impacto nos preços no atacado, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) acelerou e fechou maio com variação de 1,02%, acima dos 0,85% registrados em abril passado e dos 0,43% de maio de 2011. De acordo com a FGV, esta foi a maior alta do indicador desde novembro de 2010. Com este resultado, o IGP-M, que serve de referência para os reajustes dos aluguéis, acumula alta de 2,51% no ano e de 4,26% em 12 meses.
O preço do atacado, medido pelo IPA (um dos componentes da fórmula de cálculo do IGP-M), registrou aumento de 1,17% em maio, contra 0,97% no mês anterior.
A variação cambial foi o que mais pesou para alta da inflação, afetando principalmente produtos como soja e petróleo no atacado, afirmou Salomão Quadros, responsável pelo índice de preços.
- Registramos o segundo mês consecutivo de alta no IGP-M, depois de 15 meses de queda. Isso mostra que a fase de desaceleração da inflação aparentemente ficou para trás - disse Quadros.
O repasse dessas altas ao consumidor, porém, deve ser leve e não imediata; deve demorar pelo menos três meses para ocorrer.
- Não é a alta do dólar, que provocou inflação sobretudo na soja e em produtos petroquímicos, que vai pesar no bolso do consumidor. A dificuldade do governo em manter a inflação no centro da meta será por causa do preço dos serviços que não são regulados - esclareceu o especialista, que evitou projetar o resultado tanto do IGP-M quanto da inflação oficial (medida pelo IPCA) para este ano.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) foi o único item que mostrou queda em maio na comparação com abril. Neste mês, o IPC ficou em 0,49%, abaixo dos 0,55% do mês passado.
- Este será um ano de muita instabilidade, principalmente por causa do cenário internacional, que parecia melhor, mas voltou a ficar confuso. O repasse do aumento de preço à indústria, porém, ainda não afeta o consumidor. Há, no entanto, outros fatores que devem colaborar para o aumento do preço na ponta. E o setor de serviços é que mais fará isso - afirmou Quadros.
O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), que mensura os preços da construção civil e é outro componente do cálculo do IGP-M, também subiu: foi de 0,83% para 1,30% em maio. No INCC, o que colaborou para o aumento foi o dissídio dos trabalhadores em São Paulo.