Título: Espanha portas do crédito se fecharam
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Fonte: O Globo, 06/06/2012, Economia, p. 33

MADRI e TÓQUIO. A Espanha advertiu ontem que está perdendo o acesso ao mercado de crédito e que a Europa deveria ajudar os bancos do país. O alerta foi dado pelo ministro da Fazenda e da Administração Pública da Espanha, Cristóbal Montoro, no mesmo dia em que os ministros de Finanças do G-7 (grupo das sete maiores economias do mundo) fizeram uma reunião de emergência para discutir a crise na zona do euro. Segundo Montoro, o atual patamar de ágio cobrado pelos bancos para financiar o governo espanhol está fora do alcance do país.

- O risco-país (cobrado pelos bancos) mostra que a Espanha não tem a porta do mercado aberta - afirmou em tom dramático o ministro a uma emissora de rádio. - O risco-país mostra que, como um Estado, temos um problema para acessar os mercados, quando precisamos refinanciar nossa dívida.

A Espanha vive uma grave crise com o endividamento dos bancos, disparado pelo estouro da bolha imobiliária e agravado pelos gastos excessivos de suas províncias autônomas. O ágio cobrado pelos mercados para adquirir bônus soberanos da Espanha de dez anos na comparação com o prêmio sobre os títulos alemães (referência do mercado europeu) alcançou novo máximo histórico na era do euro na semana passada, provocado por especulações de que o país poderá precisar de um resgate financeiro como o da Grécia.

Montoro disse que os bancos espanhóis deveriam ser recapitalizados por meio de mecanismos europeus. O ministro cobrou dos sócios da Espanha na zona do euro "diligência, decisão e prontidão", acrescentando que "isso inclui correr riscos".

O rei da Espanha, Juan Carlos, se somou ao governo espanhol na cruzada pelo apoio ao setor bancário do país, afirmando que sem solidariedade o projeto comunitário da União Europeia (UE) não sobreviverá.

- Sem solidariedade é possível que o projeto econômico europeu possa sobreviver, o que não poderá sobreviver será o projeto político europeu - disse o rei da Espanha durante visita ao Chile.

Reunião do G-7 defende união fiscal da Europa

A principal autoridade econômica da Europa, Olli Rehn, disse ontem que Madri não pediu assistência à UE. Outras fontes afirmaram, no entanto, que uma ajuda dependeria da auditoria independente sobre as necessidades dos bancos espanhóis, que deverá entregar seu relatório em breve. Fontes em Berlim e Bruxelas negaram ontem uma notícia publicada no jornal alemão "Die Welt" de que autoridades europeias estariam considerando oferecer à Espanha, por precaução, uma linha de crédito por meio do Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM, na sigla em inglês) em meados de junho.

O Departamento do Tesouro dos EUA, que mediou a reunião do G-7, afirmou em nota, após a teleconferência, que o grupo discutiu formas de "avançar rumo a uma união financeira e fiscal na Europa", e que concordaram em monitorar os acontecimentos de perto, mas o grupo não fez uma declaração conjunta ou tomou qualquer medida imediata.

Autoridades espanholas também negaram ontem que Madri precisasse ou tivesse solicitado tal ajuda.

- Nada está sendo preparado, nada foi pedido - afirmou uma alta fonte do governo espanhol.