Título: Milhões de excluídos no Nordeste e cidades de SP com 98,5% de cobertura
Autor: Rodrigues , Lino
Fonte: O Globo, 03/06/2012, Economia, p. 18

SÃO PAULO . Enquanto quase 7 milhões de domicílios estão sem telefone fixo ou celular no país, especialmente no Nordeste, municípios têm quase 100% de suas residências cobertas por algum sistema de telefonia, segundo o IBGE. É o caso de São Caetano do Sul, na região do ABC paulista, que conta com mais de 98% dos lares cobertos por rede telefônica. Com apenas 15 km2, a cidade também é líder em outros índices de desenvolvimento econômico e social do país: tem a melhor poupança individual (cerca de R$ 9,7 mil por habitante), um dos mais altos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil (0,987), renda per capita de R$ 32 mil e 99,7% de sua população de 150 mil pessoas alfabetizadas. Em relação à conectividade, o computador com acesso a internet está presente em 74% das residências caetanenses.

- Todos esses números dão tranquilidade para as pessoas investirem em conforto - diz o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Celso Amâncio.

Dimensão do Brasil também explica desigualdade

Segundo Amâncio, 98,5% dos habitantes de São Caetano do Sul são das classes A, B e C, o que faz com que eles tenham mais renda para ter acesso às telecomunicações.

- São Caetano tem um conjunto de vantagens que traz mais qualidade de vida para seus habitantes - diz Amâncio, lembrando que dos 150 mil moradores na cidade, 110 mil têm emprego com carteira assinada.

Eduardo Tude, da Teleco, que faz consultoria no mercado de telecomunicações, acredita que o fato de São Caetano do Sul não ter área rural e estar muito próximo de São Paulo explica o alto índice de residências com telefone fixo ou celular.

- Municípios urbanos e com pouca ou nenhuma população rural geralmente têm uma cobertura total dos serviços de telecomunicações - observa Tude.

Para Ivair Rodrigues, da IT Data, consultoria na área de telefonia e tecnologia, as discrepâncias entre cidades com grande cobertura de rede telefônica ou quase sem nenhuma mostram que o Brasil ainda não pode ser considerado país de classe média. Segundo ele, essas desigualdades se devem às dimensões do país, que tem dificuldade em oferecer infraestrutura a cidades localizadas em regiões remotas, como a Amazônia e municípios distantes e pobres do Nordeste.

- A infraestrutura chega com certa facilidade aos lugares próximos aos grandes centros, o que não acontece em regiões remotas que exigem grandes investimentos - observa Rodrigues, destacando, contudo, que as empresas de telefonia são obrigadas a oferecer serviços em locais distantes. - O custo é alto e o retorno é muito baixo. Por isso, existe pouco interesse.