Título: Indústria chinesa recua em maio
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Fonte: O Globo, 02/06/2012, Economia, p. 29

PEQUIM e TÓQUIO. A divulgação ontem de dados sobre o comportamento do setor industrial da China em maio revelou que a desaceleração do setor é mais ampla do que fora previsto anteriormente, puxada sobretudo pela deterioração da demanda doméstica. O resultado alimentou especulações de que o banco central chinês poderá afrouxar sua política monetária para estimular o consumo.

O índice oficial de gerentes de compra - que cobre as maiores e principais empresas estatais - recuou mais do que o esperado, para 50,4 pontos em maio, o menor patamar do índice este ano, que se segue à máxima de 13 meses alcançada em abril, com a produção no menor nível desde novembro de 2011. Já o PMI do HSBC, que acompanha empresas menores do setor privado, recuou de 49,3 em abril para 48,4 - o sétimo mês seguido abaixo da marca de 50 que separa expansão de contração - com o subíndice de desemprego recuando para 48,1, menor nível desde março de 2009.

- O crescimento no segundo trimestre deve desacelerar, provavelmente abaixo de 7,5% na comparação anual. Isso deixa em risco a meta de crescimento anual e os riscos crescem porque o ambiente externo está enfraquecendo - avaliou o economista-sênior e estrategista do Crédit Agricole, Dariusz Kowalczyk.

Embora Pequim tenha anunciado uma série de reformas para apoiar o crescimento e destravar o investimento privado desde meados de maio, é cedo demais para que os dados do PMI reflitam esses esforços.

Principais bolsas

asiáticas recuam

Ontem, Du Ying, vice-presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o órgão planejador econômico mais poderoso da China, afirmou que o governo vai impulsionar a demanda doméstica, para manter a economia num ritmo robusto este ano.

- Vamos garantir crescimento forte e rápido neste ano - afirmou ele.

Uma preocupação particular para os economistas é que as novas encomendas começaram a encolher enquanto estoques passaram a subir, o que implica uma fraqueza nos próximos meses, já que as empresas vão atender qualquer alta das encomendas com os estoques existentes em vez de elevar a produção. Esse quadro reforça a expectativa de um anúncio de medidas de estímulo fiscal.

Ontem, as ações asiáticas expandiram as perdas, com o Nikkei do Japão completando seu maior período de perdas semanais em duas décadas, com queda de 1,2% no dia e 1,6%, na semana. A bolsa de Cingapura recuou 0,97%, Taiwan caiu 2,68%, e Hong Kong, 0,38%.