Título: Moody's ameaça brasileiras
Autor: Novo, Aguinaldo
Fonte: O Globo, 12/06/2012, Economia, p. 21

SÃO PAULO. Em relatório divulgado ontem, a agência de classificação de risco Moody"s pôs em xeque a qualidade de crédito das empresas brasileiras, que teria perdido força diante das mudanças no câmbio e nos preços de commodities .

"Esperamos que as alterações de rating até o fim do ano sejam estáveis ou negativas, dependendo da exposição cíclica", escreveu o vice-presidente sênior da agência e autor do relatório, Filippe Goossens.

O relatório acrescenta que, com o agravamento da crise na Europa, o mercado vai ficar ainda mais restritivo para o lançamento de títulos no exterior.

"Apenas as empresas bem estabelecidas e com ratings elevados conseguirão acessar os mercados de capitais internacionais para obter financiamento a curto prazo. Essa é uma preocupação para os emissores com ratings mais baixos, visto que a falta de linhas bancárias compromissadas no Brasil pode deteriorar a sua liquidez", afirma o texto.

Segundo o relatório, a agência vê com tendência estável os setores como mídia e telecomunicações, e negativa os setores cíclicos como papel e celulose e companhias aéreas.

Pela manhã, perguntado sobre a possibilidade de novas ofertas públicas de ações ainda este ano, o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, afirmou que isso será "difícil" nos próximos meses, mas disse que a segunda metade do ano pode trazer oportunidades.

- Imaginava que na segunda quinzena de junho teríamos outra leva de IPOs, mas agora acho que isso só vai acontecer entre julho e agosto - disse o executivo, para quem o mercado já foi prejudicado com a crise europeia, que vem se agravando.

Edemir prevê para o segundo semestre IPOs em ao menos dois setores: consumo e petróleo e gás. Ele manteve a previsão de 45 operações no acumulado do ano, mas ressaltou que após agosto poderá reavaliar sua estimativa.

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