Título: Governo afasta chefe de gabinete do presidente do Banco do Nordeste
Autor: Fariello, Danilo
Fonte: O Globo, 12/06/2012, Economia, p. 23

BRASÍLIA. Acusado de usar o cargo para desviar recursos para campanhas eleitorais, Robério Gress do Vale, chefe de gabinete da presidência do Banco do Nordeste (BNB), foi afastado do cargo ontem. O governo cogita substituir também alguns diretores do banco, mas, pelo menos por enquanto, não foi discutida a saída do presidente Jurandir Santiago. Ele chegou ao cargo em julho de 2011 e, sob sua gestão, foram feitas as investigações em empréstimos concedidos entre 2009 e o início de 2011, que resultaram no afastamento de Vale.

O ex-chefe de gabinete está no centro dessa investigação feita pelo próprio BNB e pela Controladoria-Geral da União (CGU), revelada pela revista "Época" no fim de semana. Entre os 24 empréstimos com irregularidades, o banco teria financiado R$ 12 milhões a uma empresa de cunhados de Vale, que não teria necessidade desse volume de recursos.

Vale foi quarto maior doador individual para o deputado federal José Guimarães (PT-CE), irmão de José Genoino, atual assessor do Ministério da Defesa. O Ministério Público Federal deve levar o caso à Justiça. Em 2005, quando Guimarães era deputado estadual, um assessor seu foi preso com US$ 100 mil na sua cueca, dinheiro que também tinha origem no BNB, segundo apurou inquérito na época. O episódio levou à renúncia de Genoino a uma candidatura à presidência do PT.

Ontem, por meio de nota, a direção do BNB disse que não se manifestará sobre as razões da dispensa de Vale do cargo de confiança, informando que ele permanecerá nos quadros da instituição, onde está há 28 anos.

Mais cedo, o BNB divulgara nota informando que Santiago "tão logo tomou conhecimento dos primeiros indícios de irregularidades adotou imediatamente todas as providências que a situação reclamava".

Segundo o documento, no próprio mês de julho foi instaurado o primeiro de quatro procedimentos de sindicância que se encontram em andamento, por determinação da diretoria do banco.

"Estas apurações já resultaram no afastamento e demissão de vários colaboradores. Além disso, o banco passou, espontaneamente, a interagir com os órgãos de controle - CGU, Ministério Público e Polícia Federal - a fim de que o assunto recebesse os encaminhamentos e apurações devidos", diz a nota.

O BNB informou ainda que, após o caso, sua diretoria implementou "aperfeiçoamentos nos processos de crédito, com vistas a mitigar os riscos da ocorrência de novos eventos da espécie".