Título: Indústria pressiona governo por IPI menor
Autor: Bonfanti, Cristiane
Fonte: O Globo, 21/06/2012, Economia, p. 26

Imposto reduzido para geladeiras, fogões e lavadora expira este mês. Seria segunda prorrogação da medida em 2012

BRASÍLIA. O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula, pediu ontem ao Ministério da Fazenda que prorrogue mais uma vez a vigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para a linha branca. O benefício foi renovado em março por três meses e, se não houver uma nova prorrogação, terminará no fim deste mês.

Anunciada pela primeira vez na crise financeira de 2008 e 2009, a redução do IPI para eletrodomésticos da chamada linha branca foi reeditada em dezembro do ano passado, às vésperas do Natal, para estimular o consumo, diante de um novo capítulo da crise global.

Para os fogões, a alíquota caiu de 4% para zero. No caso das geladeiras, foi reduzida de 15% para 5%; nas máquinas de lavar, a taxação caiu de 20% para 10%; e para os tanquinhos, o tributo recuou de 10% para zero. Agora, sob o argumento de que a medida fez avançar as vendas do setor, a Eletros está pressionando o governo por uma nova prorrogação desse benefício fiscal.

Vendas caíram em abril, mas subiram em maio

Na avaliação de Kiçula, os três primeiros meses deste ano foram positivos para a indústria, com uma alta nas vendas entre 5% e 10% sobre o mesmo período de 2011. Em abril, no entanto, houve uma queda de 5%. Em maio, as vendas voltaram a apresentar crescimento.

- Não nos deram nenhuma pista se vão renovar ou não (o IPI). Ficamos de fazer um estudo e voltar - afirmou o presidente da associação, depois de se reunir com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Segundo ele, ficou acertado o agendamento de uma nova reunião com o governo para analisar o pedido da indústria.

Diante da economia estagnada, os fabricantes pressionam para que, desta vez, o benefício seja estendido até dezembro. Para Valdemir Dantas, dono da fábrica de eletrodomésticos Latina, a redução é positiva, mas o fato de ser por um período curto torna inviável o planejamento dos empresários.

- As políticas são importantes no atual contexto da economia, mas não garantem uma visão a longo prazo. É uma situação desanimadora - lamentou.

Para a Whirlpool, que reúne as marcas Brastemp, Cônsul e KitchenAid, a prorrogação fortalecerá a indústria. "O setor de eletrodomésticos faz larga utilização de matéria-prima nacional. A renovação da medida será muito bem-vinda", informou a empresa.

Taxação menor para móveis termina no fim do mês

Com as reduções, o governo busca incentivar o consumo e minimizar os efeitos da crise financeira mundial no Brasil. A equipe econômica trabalha para que a atividade tenha crescimento de, no mínimo, 2,7%, igual ao ano passado. O mercado já aposta em um avanço de apenas 2,3% para este ano. Até o fim do mês, também valem alíquotas reduzidas de IPI sobre móveis (de 5% para zero); laminados (de 15% para zero); papel de parede (20% para 10%); e luminares e lustres (15% para 5%).