Título: De Cachoeirinha para Leãozinho, um celular para falar com a mãe
Autor: Éboli , Evandro
Fonte: O Globo, 22/06/2012, O País, p. 10
BRASÍLIA . O juiz federal de Goiás Leão Aparecido Alves, que se declarou impedido de continuar à frente do processo contra Carlinhos Cachoeira, negou ontem, em nota, envolvimento com o contraventor e contatos com qualquer integrante da quadrilha do bicheiro. Ele contou que seu filho é colega de escola de um filho de Cachoeira. O filho do juiz teria usado o telefone do colega para ligar para sua mãe, Maria do Carmo Oliveira Alves, mulher de Leão Alves.
"Em não raras ocasiões, meu filho utilizou o telefone celular do filho do Sr. Carlos Cachoeira para entrar em contato com a mãe dele. Dessa forma, as conversas mantidas pelo meu filho e pelo filho do Sr. Cachoeira, com o uso desses aparelhos, foi, de forma apressada e irresponsável, apresentada como prova de que eu ou minha mulher teríamos mantido contato com integrantes da suposta quadrilha", afirmou Leão.
"Melhor seria se tivesse havido a interceptação telefônica, porque a exibição das conversas seria o suficiente para expor a verdade. Na ausência da interceptação, qualquer ilação quanto à natureza e ao conteúdo das conversas é mera especulação", diz o juiz, na nota.
Os dois garotos são colegas há cinco anos e os celulares estão registrados em nome dos familiares. Segundo o juiz , "é mera especulação" que um telefone registrado em seu nome teria sido usado para manter contato com suspeitos de integrar a quadrilha de Carlinhos Cachoeira.
Leão Alves negou contato com qualquer integrante da quadrilha e que sua esposa tenha feito várias ligações para José Olímpio Queiroga, um dos sócios de Cachoeira. Maria do Carmo, afirma o juiz, fez várias ligações para a irmã de Queiroga, que é madrinha de batismo de seu filho.
Leão também comentou a afirmação de Cachoeira, em conversa gravada em fevereiro deste ano, de que o juiz assumiria a Vara e avisaria sobre possíveis prisões. "Não podemos nos responsabilizar pelo que terceiros atribuem a mim e a minha esposa em conversas telefônicas... O teor da conversa prova a inocência da pessoa acusada, porque se eles foram presos significa que ela não avisou. Se os acusados tivessem recebido um alerta sobre a decretação das prisões em 14 de fevereiro de 2012 teriam tido muito tempo para se esconderem, porquanto as prisões somente foram efetuadas em 29 de fevereiro de 2012", afirmou Leão.