Título: Grécia pede prazo maior para ajustes
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Fonte: O Globo, 22/06/2012, Economia, p. 24

ATENAS . O novo governo grego vai pedir aos credores mais dois anos para cumprir suas metas fiscais, numa posição que traz alento à população, mas pode gerar atrito com os parceiros da zona do euro. Uma autoridade do partido Esquerda Democrática disse à agência de notícias Reuters que o adiamento nos prazos impostos pelos credores e uma prorrogação do auxílio-desemprego são elementos cruciais na plataforma do novo governo, liderado pelo partido conservador Nova Democracia com participação do socialista Pasok e do Esquerda Democrática.

A coalizão pediu por mudanças no acordo de resgate, após anunciar os 39 membros de seu gabinete, 30 deles do conservador Nova Democracia. O presidente do banco central grego, Vassillis Rapanos, foi nomeado ministro de Finanças, e o deputado do Nova Democracia, líder do partido no Parlamento, Dimitris Avramopoulos, ministro das Relações Exteriores. Os ministros participaram de uma cerimônia de juramento da Igreja Ortodoxa.

"Não temos período de lua de mel", diz Samaras

Segundo a fonte do Esquerda Democrática, a plataforma do governo prevê a renegociação dos termos de modo que a Grécia tenha até 2016 - e não 2014, como negociado -, para reduzir seu déficit público a 2,1% do PIB. Em 2011, o déficit ficou em 9,3%. Funcionários gregos dizem que a prorrogação exigiria de 16 bilhões a 20 bilhões adicionais em financiamento estrangeiro.

O governo deve também solicitar a prorrogação de um para dois anos no pagamento de seguro-desemprego e limitar as demissões no setor público, segundo a fonte partidária.

"O objetivo do governo é combater a crise, abrir caminho para o crescimento e revisar os termos do socorro sem pôr em risco o curso do país na Europa ou sua parceria com a zona do euro", disse um documento político endossado pela coalizão.

Em sua primeira reunião de gabinete, Samaras disse que seus ministros poderiam ter redução de 30% em salários e pediu que eles usassem os carros oficiais de forma moderada, num esforço de liderar sua nação endividada pelo exemplo. Seu gabinete já conta com dez representantes a menos que o anterior.

- Esse governo não tem período de lua de mel - disse ele. - Não tenham dúvidas: nosso objetivo é tirar o país da crise e mostrar aos gregos que seu sofrimento não foi em vão.

O Nova Democracia venceu a eleição prometendo renegociar as duras medidas de austeridade.