Título: Justiça arquiva inquérito contra Palocci por lavagem de dinheiro
Autor: Amorim, Silvia
Fonte: O Globo, 27/06/2012, O País, p. 4

Para MP de São Paulo, não havia prova de crime em locação de apartamento

SÃO PAULO. A Justiça paulista arquivou o inquérito em que o ex-ministro Antônio Palocci era investigado por suspeita de lavagem de dinheiro na locação de um apartamento na capital paulista. O arquivamento foi pedido pelo próprio Ministério Público Estadual em maio, que alegou falta de provas para levar a apuração adiante. O advogado de Palocci, José Roberto Batocchio, disse que a decisão não repara o dano causado à imagem do ex-ministro, mas "restabelece a verdade".

- O desgaste à imagem é irrecuperável e irreparável, mas, se conheço o ministro, ele não vai querer levar adiante essa discussão - disse Batochio.

Na semana passada, a juíza Cynthia Maria Sabino Bezerra da Silva, diante da manifestação da promotoria, arquivou o inquérito, que tinha entre os investigados o proprietário do imóvel, Gesmo Siqueira dos Santos, e outros, além de Palocci.

"Os elementos de prova amealhados, contudo, não evidenciam a existência de vínculo entre o sobredito bem e algum dos delitos antecedentes, noutras palavras, que seja produto direta ou indiretamente de alguma daquelas infrações penais. Diante do exposto, por falta de justa causa para a propositura de ação penal, promovo o arquivamento dos autos", diz o despacho do promotor de Justiça Joel Carlos Moreira da Silveira, em 22 de maio.

A investigação foi aberta em setembro do ano passado e tinha como foco apurar a locação por Palocci, a partir de 2007, de um apartamento no bairro de Moema, Zona Sul da capital, avaliado em R$ 4 milhões. Gesmo Siqueira, dono do imóvel, é filiado ao PT de Mauá desde 1988 e investigado em, ao menos, 120 inquéritos policiais por fraudes contra o consumidor, falsificação de combustíveis e documentos.

No ano passado, reportagem publicada pela revista "Veja" apontou Siqueira como "laranja" em operações financeiras, o que colocou sob suspeita o contrato de locação com Palocci e a possibilidade de o petista ser "laranja" do ex-ministro. A investigação foi aberta após uma representação do PSDB em São Paulo.

O caso surgiu no momento em que Palocci estava sendo alvo de uma série de denúncias sobre a evolução do seu patrimônio em 20 vezes entre 2006 e 2010, o que acabou derrubando o ministro do governo Dilma Rousseff. Na época, o ex-ministro disse que pagava aluguel de cerca de R$ 15 mil e que não conhecia Siqueira antes da locação.

Para o advogado do ex-ministro, a decisão vem "restabelecer a verdade".

- Quando as notícias sobre esse imóvel começaram a ser publicadas no ano passado e o inquérito foi instalado, eu o qualifiquei como um despropósito. Agora, vem a decisão mostrar que estávamos certos e restabelecer a verdade - afirmou Batochio.