Título: PT e PSB rompem coligação em Minas
Autor: Ribeiro, Marcelle
Fonte: O Globo, 01/07/2012, O País, p. 12

Petistas terão candidato próprio em BH

Após rachar em Recife e Fortaleza, PT e PSB também vão ser rivais na campanha pela prefeitura de Belo Horizonte, onde estão juntos há quase quatro anos na administração de Marcio Lacerda (PSB). Na noite de ontem, a Executiva municipal petista decidiu romper a aliança, que já tinha até vice do PT escolhido, para o pleito deste ano. A decisão ocorreu depois de o PSB resolver, em convenção ontem, não formar chapa com o PT para vereadores. A ala petista defensora da reedição da aliança com Lacerda não descarta intervenção da Executiva nacional.

Minutos antes da convenção petista, o PSB encaminhou à sede do PT-BH carta em que informou sobre a decisão de não se coligar com o partido para a Câmara Municipal. A composição era prevista em resolução do PT como item fundamental para se aliar novamente a Lacerda. Em votação, a Executiva municipal petista decidiu, por 11 a 4, abandonar a aliança com o PSB e lançar candidatura própria. Em seguida, em nova votação, o vice-prefeito Roberto Carvalho, brigado com Lacerda desde o início da administração, foi escolhido como o candidato do partido.

A ala petista defensora da aliança com Lacerda não apareceu na convenção do próprio partido, mas participou do encontro do PSB horas antes. O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, o deputado federal Miguel Corrêa, que havia sido escolhido como vice de Lacerda duas semanas antes, e o deputado federal Reginaldo Lopes, presidente do PT-MG, discursaram a favor de Lacerda. A decisão do PSB-BH de não se coligar com o PT para a Câmara Municipal só foi anunciada no fim da tarde, horas depois da convenção do próprio PSB. A tarde foi de pressão tanto do PT quanto do PSDB, que ameaçavam pular fora da aliança.

Nos bastidores, a decisão do PSB teria sido em função da pressão do senador Aécio Neves (PSDB). Ele disse que o PSDB estaria fora da aliança caso o PSB aceitasse a exigência petista.

— Foi o PSB que decidiu pelo rompimento com o PT ao não fazer a coligação proporcional. Não foi uma decisão petista. — argumentou Roberto Carvalho, que sempre defendeu a candidatura própria.