Título: Vaia para Maluf na convenção de Haddad
Autor: Ribeiro, Marcelle
Fonte: O Globo, 01/07/2012, O País, p. 12

Ao se lançar, candidato petista à prefeitura de SP ataca Kassab, chamando sua gestão de "truculenta" e "repressiva"

O candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, subiu ontem o tom das críticas à gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que apoia seu principal adversário, José Serra (PSDB). Em convenção que homologou seu nome, Haddad disse que vai lutar contra as “forças conservadoras” da cidade. Mas houve constrangimento quando o nome do ex-prefeito Paulo Maluf (PP) — que declarou apoio a Haddad, mas não foi à convenção — foi anunciado, o que provocou vaias por parte dos militantes petistas.

Haddad acusou Kassab de perseguir ambulantes e moradores de rua, de ser omisso na limpeza urbana, de permitir que esgotos fiquem a céu aberto e de não investir na cidade, apesar da alta arrecadação do município. Ele classificou a gestão de Kassab de “truculenta”, “repressiva” e “atrasada”.

— É uma administração mesquinha e provinciana, que não aproveitou os melhores anos da última década, com a administração do ex-presidente Lula e da presidente Dilma — disse. — Foi um crime ter abdicado da ajuda federal para não compartilhar do sucesso.

Haddad: Kassab “se esconde da população” da cidade

Mais cedo, em discurso na convenção do PCdoB, ele acusou Kassab de “se esconder” da população.

— O prefeito deveria estar inaugurando obras, mas ele está escondido, não aparece.

Fernando Haddad pediu o apoio dos paulistanos para vencer as “forças conservadoras” da cidade.

— A cidade não é conservadora. Já elegeu um negro e uma sexóloga. Atuam na cidade forças conservadoras. Nós nos propomos a vencer essas forças conservadoras com o povo paulistano. São Paulo trabalha demais para ter um governo que entrega (benefícios) de menos (à população) — disse ele.

Perguntado se o deputado Paulo Maluf (PP-SP), que apoia a sua candidatura, não seria uma força conservadora, Haddad voltou a defender a necessidade de repetir, em São Paulo, um governo de coalizão como o da presidente Dilma Rousseff, que também conta com o apoio do PP, e que tem alto índice de aprovação popular. Segundo o ex-ministro, o conservadorismo é combatido no governo federal.

Paulo Maluf não compareceu à convenção do PT mas, quando o seu nome foi citado por representante do PP, a plateia presente na Câmara de Vereadores vaiou. Haddad disse que isso não o preocupava, e que o seu partido não reprime manifestações dos militantes.

O candidato disse que o único defeito da coligação dele é o fato de ela não ser formada por todos os partidos da base aliada do governo de Dilma Rousseff, como o PMDB e o PDT. E admitiu que deve haver segundo turno.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a deputada federal Luiza Erundina (PSB-PT) e a senadora Marta Suplicy (PT-SP) não compareceram ao evento, que contou, no entanto, com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo assessores, Erundina está doente, mas o presidente municipal do partido dela reafirmou que a deputada participará da campanha, como ela mesma declarou. Lula não foi para poupar a saúde, pois se recupera de um câncer.

Haddad disse que respeita a senadora Marta Suplicy, apesar de ela ter indicado anteontem que não deve pedir votos para o ex-ministro.

— Vou respeitar sempre a prefeita. Servi ao governo dela com muito orgulho.