Título: Na Câmara, polêmicas no 2 semestre
Autor:
Fonte: O Globo, 04/07/2012, O País, p. 9

BRASÍLIA . Antes de ir ao jantar com a presidente Dilma Rousseff na noite de ontem, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), tentou afastar a ideia de qualquer desentendimento possível entre os dois, a despeito da insatisfação do Planalto com as propostas polêmicas colocadas em pauta por ele. A notícia que levou à presidente foi a decisão dos líderes de, até o recesso, só votar medidas provisórias e projetos de consenso. Os projetos pautados na semana passada, que implicavam ampliação de gastos públicos, serão apreciados somente no próximo semestre.

Entre os projetos da chamada "pauta bomba de Marco Maia" estavam o da divisão dos royalties do petróleo; o que reduzia para 30 horas a jornada dos enfermeiros e poderia implicar impacto de R$ 7,2 bilhões/ano em contas públicas e privadas; e as modificações no fator previdenciário.

Em artigo, Maia prega independência

Mesmo limpando a pauta do plenário, Marco Maia, em mais uma estocada no governo, divulgou um artigo em que reafirma a autonomia da Casa para votar projetos que não são de interesse do Executivo.

No artigo, intitulado "Por uma Câmara independente e conectada com os interesses da sociedade", Maia diz que o Legislativo pode propor sua própria pauta, "de forma independente e responsável, como o fez e deverá seguir fazendo, sempre que entender que os interesses da sociedade estão acima dos interesses do Executivo".

Em entrevista, Maia afirmou ter relação harmônica com Dilma:

- Teve uma época em que nós nos ligávamos todos os dias. Na semana passada, a presidente Dilma me ligou para agradecer as votações do semestre. E aproveitou para dizer: precisamos conversar sobre a política.

Em diálogos com alguns deputados, no entanto, Maia revelou a pressão.

- O presidente comentou: "Estou apanhando muito e ninguém me defende". Eu disse a ele: essa é uma coisa boa, você está tomando pancada por defender os trabalhadores, perde lá, apanha do governo, mas ganha com os trabalhadores - contou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).

Participariam do jantar, além de Dilma e Maia, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Ideli disse que o governo está satisfeito com o Congresso e que o jantar serviria para "harmonizar os poderes" para o enfrentamento da crise.