Título: EUA não podem agir sozinhos, diz Obama
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Fonte: Correio Braziliense, 24/09/2009, Mundo, p. 37
Falando à assembleia geral, presidente pede a cada país que ¿faça a sua parte¿
Ao discursar pela primeira vez diante da Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Barack Obama afirmou que os Estados Unidos não podem resolver sozinhos os problemas do planeta, e pediu que cada país faça ¿a sua parte¿ na resposta aos desafios globais. Segundo ele, é preciso que o mundo ¿abrace uma nova era de engajamento baseado no interesse e respeito mútuos¿. Obama ainda reforçou que está disposto a dialogar com Irã e Coreia do Norte, se ¿cumprirem suas obrigações¿, e declarou-se favorável à ¿solução de dois Estados¿ para o conflito no Oriente Médio, com um território palestino que ¿acabe com a ocupação iniciada em 1967 e reconheça o potencial do povo palestino¿.
Obama foi precedido na tribuna pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e pelo colega Luiz Inácio Lula da Silva ¿ na tradição da ONU, é sempre o representante do Brasil que faz o primeiro discurso da assembleia geral. O líder líbio, Muammar Kadafi, e os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, da China, Hu Jintao, da Rússia, Dmitri Medvedev, e do Irã, Mahmud Ahmadinejad, falaram em seguida, com menos holofotes.
Durante quase 40 minutos, Obama se concentrou no que chamou de ¿quatro pilares fundamentais para o futuro que queremos dar a nossos filhos¿: a não proliferação de armas nucleares, a promoção da paz e da segurança, a preservação do planeta e uma economia global que dê oportunidades a todos. Como já havia feito em outras ocasiões, o presidente procurou mostrar que os Estados Unidos compartilham sentimentos e um futuro comum com o restante do mundo. ¿Não podemos mais dar às nossas diferenças o luxo de excluir o trabalho que devemos fazer juntos¿, disse. Na mesma linha, declarou que quem costuma ¿repreender os EUA¿ por atuarem sozinhos no mundo ¿não pode agora esperar que os EUA resolvam sozinhos os problemas mundiais¿.
O argumento de que ¿cada um deve fazer a sua parte¿ também foi o centro da fala de Obama sobre o combate ao aquecimento global e à crise econômica. ¿Não pode haver paz sem que se assuma a responsabilidade da preservação do planeta. À medida que nos aproximamos de Copenhague (sede da conferência da ONU sobre o tema, em dezembro), vamos decidir nos estabilizar naquilo que cada um de nós pode fazer pelo bem de nosso futuro comum¿, disse. Em relação à recuperação econômica mundial, afirmou que as nações mais fortes ¿devem abrir seus mercados e estender a mão àqueles que têm menos¿, enquanto os países em desenvolvimento precisam se comprometer em acabar com a corrupção, que é um ¿obstáculo ao progresso¿.
Irã
A expectativa era de que Obama assumisse um tom mais duro em relação ao Irã, mas o que se viu foi apenas a repetição da promessa de abertura diplomática, se o governo de Mahmud Ahmadinejad frear seu programa nuclear. ¿Se os governos do Irã e da Coreia do Norte escolherem ignorar os padrões internacionais, se colocarem as armas nucleares à frente da estabilidade regional e da segurança de sua população (¿), eles devem ser contidos¿, afirmou. Sarkozy, no entanto, foi além, dizendo que o Irã comete um ¿trágico engano¿ se acha que o mundo não vai reagir ao seu programa nuclear. O francês sugeriu ainda que as potências globais estabeleçam um prazo até dezembro para o diálogo com o Irã ¿ para então, se necessário, adotar novas sanções ao país.
Não pode haver paz sem que se assuma a responsabilidade da preservação do planeta¿
Barack Obama, presidente dos EUA
Enquanto ele não vem¿ Ricardo Stuckert/PR
Enquanto as chancelarias dos dois países continuam estudando a melhor oportunidade para uma troca de visitas, o presidente Lula e o colega iraniano, Mahmud Ahmadinejad, aproveitaram a assembleia geral para se encontrarem pessoalmente pela segunda vez. Ahmadinejad não é esperado no Brasil antes de novembro, quando será recebido em Brasília o presidente de Israel, Shimon Peres. No plenário das Nações Unidas, Lula saboreou o discurso do colega francês, Nicolas Sarkozy, que defendeu explicitamente a abertura de uma vaga permanente para o Brasil no Conselho de Segurança.