Título: Cachoeira alega depressão antes da audiência
Autor: Sassine, Vinicius
Fonte: O Globo, 24/07/2012, O País, p. 4
Médico oficial avalia que bicheiro está em condições de ser interrogado; Justiça rejeita pedido de adiamento da defesa
GOIÂNIA. Na véspera das audiências de testemunhas e réus no processo que responde na Justiça Federal, o bicheiro Carlinhos Cachoeira foi submetido ontem, por determinação judicial, a exames físicos e psiquiátricos. A defesa sustenta que ele está com depressão. O contraventor foi levado para Goiânia onde serão realizadas sessões hoje e amanhã.
Cachoeira e mais seis réus, além de dez testemunhas de defesa e quatro de acusação (agentes da Polícia Federal), serão ouvidos no processo que apura o esquema criminoso montado pelo bicheiro e desmantelado pela Operação Monte Carlo, no dia 29 de fevereiro. Conforme a previsão da 11 Vara, as testemunhas começam a depor hoje, às 9h.
O contraventor chegou ontem à cela da carceragem da PF na capital goiana, às 12h30m. Durante a tarde, os advogados do bicheiro obtiveram da 11 Vara Federal, onde corre o processo, a determinação para que o cliente fosse submetido à análise de um psiquiatra. Após o exame, os médicos oficiais não constataram nenhum problema que inviabilizasse seu depoimento, previsto para amanhã.
Cachoeira deve acompanhar pessoalmente os depoimentos. Amanhã, também a partir das 9h, começam a ser ouvidos os réus. Serão interrogados ainda o ex-vereador Wladmir Garcez, o araponga Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, Lenine Araújo de Souza, Gleib Ferreira, Raimundo Washington de Sousa Queiroga e José Olímpio Queiroga, todos investigados na Monte Carlo. Geovani Pereira também deveria ser ouvido, mas hoje completam 147 dias que o contador de Cachoeira está foragido. Ele teve ordem de prisão emitida na Operação Monte Carlo.
Agentes relatam brincadeiras no percurso
Apesar de a defesa alegar que Cachoeira está deprimido, policiais que fizeram o transporte de Brasília a Goiânia relataram que o bicheiro aparentava condições de normalidade física e mental, tendo inclusive feito brincadeiras com os agentes ao longo do percurso de 220 quilômetros.
O resultado da perícia médica a qual o contraventor seria submetido no início da noite de ontem será apresentado ao juiz, momentos antes do início da audiência. O processo é presidido pelo juiz Alderico Rocha Santos.
Cachoeira está sozinho em uma cela, com capacidade para quatro pessoas. A mulher do bicheiro, Andressa Mendonça, passou a tarde na Superintendência da Polícia Federal, onde está a carceragem, e enviou recados por escrito a ele, mas, segundo os agentes, não se encontrou com o companheiro. Somente os advogados se reuniram com o réu.
Ontem, a defesa do bicheiro sofreu duas derrotas. O Tribunal Regional Federal rejeitou pedido de liminar para adiar as audiências de hoje e amanhã. E o Superior Tribunal de Justiça negou recurso que pedia a revogação da prisão de Cachoeira.
O depoimento de Cachoeira é o mais aguardado, principalmente pelo fato de o bicheiro ter se mantido em silêncio durante a presença na CPI no Congresso, em 22 de maio. Na opinião de investigadores, além do bicheiro, o depoimento mais importante seria o do contador do grupo, foragido da Justiça.