Título: Chávez ainda tem câncer, indicaria exame no Brasil
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Fonte: O Globo, 02/08/2012, O Mundo, p. 30

Jornalista diz que presidente foi atendido em hospital de Brasília

CARACAS A dois meses das eleições de 7 de outubro, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, se submeteu a exames no Hospital Universitário de Brasília, que confirmaram que ele ainda não está curado do câncer na região pélvica descoberto no ano passado, informou ontem o jornalista Nelson Bocaranda, o primeiro a divulgar a existência da doença. A reitoria da Universidade de Brasília nega que Chávez tenha passado pelo hospital.

Segundo Bocaranda, Chávez fez uma tomografia por emissão de pósitrons, uma modalidade de diagnóstico por imagem que permite o mapeamento de substâncias químicas no organismo. Os resultados foram entregues após a reunião que oficializou a entrada da Venezuela no Mercosul, anteontem. De acordo com o jornalista, mais uma vez a indicação do tratamento mais adequado foi alvo de divergências entre os médicos cubanos, brasileiros e venezuelanos que cuidam do presidente.

O colunista diz que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o responsável por coordenar os exames com médicos de confiança no Brasil. Lula já havia anunciado publicamente seu apoio à reeleição de Chávez num vídeo divulgado no encontro do Foro de São Paulo (que reúne agremiações de esquerda), em Caracas, no mês passado. Em sua coluna, Bocaranda afirma que uma região do fêmur esquerdo do presidente permanece fraturada em razão das altas doses de exposição à radiação aplicada em Cuba e, em menor dose, em Caracas, e que o tumor localizado tanto na pélvis quanto em outros órgãos não retrocedeu. A presença de células cancerígenas no sangue não foi contida.

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As informações contradizem o anúncio público feito pelo presidente no começo de julho de que estaria integralmente curado do câncer. Após um início de campanha baseado em aparições na TV, mensagens no Twitter e conversas por telefone, há algumas semanas Chávez modificou sua estratégia investindo em inúmeras aparições públicas e discursos exaltados, onde aparece sempre bem disposto, mas em um esforço de campanha ainda aquém do que ele exibira em eleições anteriores. E apesar das sondagens eleitorais apontarem que ele está em primeiro lugar, na última semana o presidente afirmou que é necessário ampliar a vantagem sobre o opositor Henrique Capriles, a quem já chamou de rato e prometeu varrer do mapa no dia 7 de outubro.

Bocaranda relata que os médicos atribuem o estágio atual do paciente ao uso excessivo de esteroides, aplicados para garantir as aparições públicas sempre enérgicas do presidente. Todos eles recomendam a suspensão, mas diante do empenho de Chávez em fazer campanha corpo a corpo, sugerem que ele diminua a dose. O mesmo raciocínio seria válido par ao uso de morfina e outros analgésicos. E sugerem o máximo de repouso possível. O restante dos medicamentos que ele vem consumindo nos últimos 14 meses permanece inalterado. Segundo o colunista, Chávez conversou longamente com Lula, e apesar de não estar satisfeito com o resultado, ao menos não estaria deprimido. A saúde do presidente e sua capacidade de comandar a Venezuela em mais um mandato são alguns dos temas principais da campanha eleitoral.

Na Venezuela, o candidato opositor Henrique Capriles, que aposta em uma campanha focada no contato direto com os eleitores, indicou ontem que, caso seja eleito, mudará um dos pontos centrais da política externa de Chávez com países próximos: a distribuição de petróleo subsidiado a aliados. A prática, que estreitou laços de Chávez com países da América do Sul, da América Central e do Caribe, tem impacto negativo nas receitas da estatal PDVSA. A mudança afetaria países como Cuba, Jamaica, República Dominicana, Uruguai e Argentina.

- Para ter um amigo, não é preciso comprá-lo - disse.