Título: Lula diz que não assistirá a sessões do STF
Autor: Farah, Tatiana
Fonte: O Globo, 03/08/2012, O País, p. 8

Ex-presidente procura se manter distante do caso e afirma que "tem mais coisas para fazer do que isso"

um julgamento para a história

SÃO PAULO No dia em que começou o julgamento do mensalão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que não deve acompanhar o processo no Supremo Tribunal Federal (STF) porque tem "mais o que fazer". Lula foi homenageado por entidades do setor de biocombustíveis e evitou falar sobre o assunto, mas, questionado por jornalistas, disse que não acompanhará o julgamento.

- Tenho mais coisas para fazer do que isso. Quem tem de assistir são os advogados - disse Lula.

Ao sair do almoço com os empresários, Lula foi questionado de novo sobre por que não assistirá ao julgamento:

- Porque estou trabalhando, meu filho - respondeu.

LULA SE ENCONTRA COM MARQUETEIRO

Ao deixar o evento, num hotel em São Paulo, Lula se reuniu com o marqueteiro João Santana, responsável pelas principais campanhas eleitorais do PT, entre elas a do ex-ministro Fernando Haddad, na capital paulista. A reunião durou cerca de duas horas, e contou com a presença do governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), que passou o dia com Lula. Santana não quis falar sobre o encontro.

Mais cedo, Déda disse a jornalistas que confiava no julgamento do STF e que a oposição faria uso político do caso por ser "um deserto de ideias":

- O STF é a corte suprema, não é uma corte de vinganças. Embora a oposição esteja vendo no julgamento uma boia de salvação, por causa da sua ausência de propostas, tenho a plena convicção de que o governo Lula está incorporado à História brasileira.

Já o presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão, também presente ao encontro com Lula, disse não esperar que o tema seja abordado pelos adversários nos debates eleitorais. Falcão comparou o uso eleitoral do mensalão à prolongada vingança da personagem Nina contra a madrasta, Carminha, na novela "Avenida Brasil", da Rede Globo.

- Tudo o que é over não faz bem- disse o presidente nacional do PT.

Cercado de petistas e ao lado dos ex-ministros Miguel Rosseto (Desenvolvimento Agrário) e Miguel Jorge (Indústria e Comércio ), Lula recebeu uma homenagem de entidades do setor de biodiesel (Ubrabio e Aprobio). Mais animado, um dos empresários chegou a pedir que Lula voltasse à Presidência:

- Eu não preciso voltar, meu filho, eu já voltei. Estou aqui inteiraço para ajudar a Dilma a ser presidente mais uma vez - disse Lula, referindo-se ao restabelecimento de sua saúde, depois de enfrentar, ano passado, um diagnóstico de câncer na garganta.

Bem-humorado, Lula brincou com o fato de estar com um inchaço na garganta, decorrente do tratamento. Disse que, caso não conseguisse reduzir o inchaço, doaria o "papo" para ser usado como biocombustível:

- Tenho mais papo hoje do que tinha quando era presidente.

Lula falou ainda sobre as Olimpíadas, dizendo que o Brasil fará um bom espetáculo:

- Vocês vão ver o show que a gente vai dar nas Olimpíadas - disse o ex-presidente, afirmando que há, no Brasil, "um tipo de gente que não acredita que o país possa dar certo" e que o "Brasil não é pequeno".

- Aqueles que achavam que o Brasil era pequeno, que não sabia fazer as coisas, que o Brasil era cachorro vira-lata, perderam. Este país é grande, goza de respeito e está tão bom que a gente nunca ganhou as Olimpíadas e vai ganhar agora, no futebol. Não sei se outros pioraram ou se nós melhoramos.