Título: Para advogados, resultado da sessão era previsível
Autor: Carvalho, Jailton de; Éboli, Evandro
Fonte: O Globo, 03/08/2012, O País, p. 6

Autor do pedido de desmembramento, Márcio Thomaz Bastos disse que não esperava convencer o Supremo

UM JULGAMENTO PARA A HISTÓRIA

BRASÍLIA Os advogados que foram ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) para defender os 38 réus do mensalão tentaram minimizar o resultado desfavorável na sessão, com a derrota da tese do desmembramento do processo. Representante de um dos dirigentes do Banco Rural, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos disse que o revés não diminui os ânimos de advogados e réus.

Segundo ele, a ideia de remeter parte do processo para a primeira instância foi lançada e ainda deve surtir efeito ao longo do julgamento.

- Não esperava ganhar. Acho que até tivemos bastante votos - disse Bastos.

Marcelo Leonardo, advogado de Marcos Valério, acusado de operar o mensalão, seguiu na mesma linha. Para ele, os votos dos ministros Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski estabeleceram parâmetros importantes.

- No primeiro julgamento, eu tive um voto. Agora tive dois. Melhorou bastante. E foram votos elaborados, altamente qualificados - disse Marcelo Leonardo.

Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, encarregado da defesa do marqueteiro Duda Mendonça, explicou que a questão de ordem foi só um dos recursos que deverão surgir nas próximas sessões.

- Para mim, não faz diferença (rejeição do pedido de Bastos). Questões de ordem estão previstas em qualquer julgamento. Eu até queria continuar o julgamento aqui. Ninguém aguenta mais isso - disse Kakay.

Alberto Toron, defensor do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), foi um dos poucos que não tinham razão de requerer o desmembramento. Por ser deputado, João Paulo continuaria sendo julgado pelo STF.

- Eu, particularmente, não adotei essa tese - disse.