Título: Votação sem mobilização contra ou a favor dos réus do processo
Autor: Lima, Maria; Sassine, Vinicius
Fonte: O Globo, 03/08/2012, O País, p. 4

Só uma petista apareceu para protestar na Praça dos Três Poderes

UM JULGAMENTO PARA A HISTÓRIA

BRASÍLIA O tão esperado início do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal não mobilizou, por enquanto, grandes massas de manifestantes a favor ou contra os mensaleiros na Praça dos Três Poderes. Apesar dos apelos da cúpula petista e do réu José Dirceu para que o povo fosse às ruas, só uma petista, a servidora pública Tereza Alencar, da Funai, vestiu-se com uniforme do PT e foi à praça se solidarizar com os companheiros. No início da noite, um grupo pequeno que combinou pelas redes sociais uma vigília contra a impunidade em frente ao STF chegou com velas de sete dias e formou a palavra "mensalão". No grupo estavam integrantes da Juventude do PSDB. Tiveram dificuldades em acender as velas, por causa da ventania na Praça dos Três Poderes.

- Estou aqui para pedir que os ministros absolvam os companheiros petistas, porque não houve mensalão. O que houve foi uma tentativa de golpe da oposição - protestou Tereza, com a bandeira do PT na cabeça para se proteger do sol.

A mobilização foi tão pequena em frente ao STF que não houve qualquer problema para o preenchimento das 24 vagas postas à disposição da população dentro do plenário do tribunal. Não houve fila, tumulto ou disputa pelas vagas. O primeiro a chegar ao tribunal foi o estudante de Direito Anderson Siqueira Lourenço, de 39 anos. Filiado ao PT, ex-militante da legenda, Anderson estava mais interessado na "aula jurídica" a ser proferida pelos ministros do STF:

- Esperava uma fila enorme, protestos. A gente é idealista, e o mensalão acabou com esse idealismo.

Ao longo do julgamento, Lourenço reclamou da questão de ordem para desmembrar o processo, que atrasou a primeira parte do julgamento e provocou longos discursos dos ministros. O ponto alto para os espectadores privilegiados foi o embate entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski.

Do lado de fora, quem chamou atenção foi o vigilante Uziel dos Santos, que se fantasiou de "cuecão", colando notas falsas na cueca, pedindo a condenação dos mensaleiros. E mostrando uma plaquinha com os dizeres: "O mensalão não pode virar cuecão".