Título: Para advogado, o MP fechou os olhos aos autos
Autor: Éboli, Evandro
Fonte: O Globo, 04/08/2012, O País, p. 6
Defesas apontam "mentiras, imprecisões e lapsos"
UM JULGAMENTO PARA A HISTÓRIA
BRASÍLIA Alguns advogados dos réus do mensalão criticaram a sustentação oral apresentada ontem pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Eles disseram que há "mentiras, imprecisões, erros e lapsos" que julgam ter sido apresentados por Gurgel sobre seus clientes. José Luiz Oliveira, que defende José Dirceu, condenou a acusação sustentada por Gurgel:
- O MP fechou os olhos para os autos. Desprezou os mais de 500 depoimentos colhidos na ação. Não há menção a depoimentos que incriminem meu cliente - disse.
O ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, advogado de Kátia Rabelo, dirigente do Banco Rural, foi um dos mais duros:
- Foram muitas inverdades (apresentadas pelo procurador). As transações financeiras foram feitas com absoluta transparência. Não foi como ele disse - afirmou Dias, referindo-se a operações realizadas pelo banco, apontadas como irregulares por Gurgel.
Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, defensor de Ayanna Tenório no processo, também atacou o procurador. Ayanna era diretora do Banco Rural.
- Me causa espécie a denúncia do procurador. Ao contrário do que afirmou, todas as operações foram comunicadas ao Coaf. Todos os saques. E assim está até nas alegações finais dele. Ele precisa corrigir esse engano - criticou Mariz de Oliveira.
Os advogados criticaram o fato de o procurador ter citado na denúncia a CPI dos Correios, no Congresso.
- Não são provas colhidas na fase do inquérito (as apontadas pela CPI) - apontou Alberto Toron, advogado do deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP).
Para Arnaldo Malheiros, defensor de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, não há novidades na acusação de Gurgel:
- O memorial trouxe mais ou menos o que ele disse agora. Na verdade, não tem muita novidade nesta fase. É só um reforço de coisas já ditas.