Título: João Paulo nega uso indevido de servidor
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Fonte: O Globo, 14/08/2012, O País, p. 5

Deputado sustenta que secretário não auxilia seu advogado no caso do mensalão

BRASILIA O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) nega ter usado a estrutura do gabinete na Câmara para se defender das acusações de participação no mensalão. Por meio da assessoria de sua campanha à prefeitura de Osasco, o deputado rebateu as informações de que fez uso dos serviços de um secretário parlamentar e de uma empresa paga com verba indenizatória para contestar o mensalão.

Reportagem do GLOBO no último domingo mostrou que o advogado Alan Emanuel Cavalcante Trajano, secretário parlamentar de João Paulo, defende o PT em causas no Supremo Tribunal Federal, foi sócio do defensor de outros dois réus do mensalão e prestou auxílio à defesa do deputado no STF. Já a empresa MPI Comunicação Digital recebeu R$ 126,5 mil do gabinete do parlamentar para desenvolver "ações em redes sociais, consultoria e manutenção dos perfis do deputado federal João Paulo Cunha". Tanto a contas do Twitter do dono da empresa quanto a do parlamentar fazem críticas recorrentes às acusações.

"O servidor Alan Emanuel não colaborou, em momento algum, nas iniciativas associadas à defesa do parlamentar no julgamento da Ação Penal 470. Para isso, o deputado contratou o escritório do criminalista Alberto Zacharias Toron, que conduz e concentra todos os procedimentos da defesa com o apoio da sua própria equipe", cita a nota. Toron também se manifestou, por meio de nota: "É absolutamente inverídica a informação de que qualquer pessoa, que não os componentes do escritório, tenha ajudado Toron na defesa de João Paulo Cunha. (Toron) Nunca foi procurado pelo jornal para falar sobre o assunto e, portanto, não teve o direito de dizer que é absolutamente inverídica a informação", diz a nota do escritório.

A colaboração à defesa do deputado na ação penal, no entanto, foi confirmada pelo próprio secretário parlamentar. Alan Emanuel disse: "Toron me pediu uma análise para destacar pontos da defesa que facilitassem a leitura pelos jornalistas".

A assessoria de João Paulo na campanha eleitoral questiona ainda o salário recebido por Alan Emanuel Trajano, R$ 18,4 mil. "Sua remuneração é pública e definitivamente não alcança os valores mencionados". É esse o valor da remuneração bruta de Alan, conforme o Portal da Transparência, da Controladoria Geral da União (CGU). A atribuição do secretário parlamentar, diz a nota, é acompanhar projetos de lei e produzir relatórios, entre outras funções: "Trajano conhece o processo que tramita no STF. Não há participação formal na defesa do deputado, nem colaboração com o advogado instituído para isso."