Título: Advogado ataca procurador e o chama de omisso
Autor: Coelho, André
Fonte: O Globo, 14/08/2012, O País, p. 3

Acusação produzida por Roberto Gurgel foi ironizada: "Ele sabe que não tem provas"

BRASÍLIA O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foi vítima de ataques pessoais e ironias, ontem, por parte dos advogados dos réus do mensalão. Nas palavras do advogado Luiz Francisco Barbosa, que defende Roberto Jefferson, Gurgel é uma pessoa omissa, que não faz direito seu trabalho e tenta jogar o povo contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

Barbosa acusou Gurgel de pedir a condenação dos envolvidos sem ter provas. Citou o procurador Manoel Pestana, de Porto Alegre, que, em 19 de abril do ano passado, pediu a inclusão de Lula na ação penal. Gurgel não teria feito nada, apesar de ter 15 dias para dar resposta.

Ainda no ataque, Barbosa disse que Gurgel já havia sido omisso por não abrir uma investigação contra o ex-senador goiano Demóstenes Torres em 2009. Na época, a PF já apontava o envolvimento de Demóstenes e outros parlamentares com o bicheiro Carlinhos Cachoeira:

- Sua Excelência é pioneiro. Na história da República brasileira, não houve ainda um procurador-geral que tenha sido demandado por crime de responsabilidade por omissão. Sua Excelência está sendo investigado perante o Senado por omissão.

O advogado de Emerson Palmieri, Itapuã Prestes de Messias, também atacou o procurador, mas em tom irônico. Fez menção à eventual semelhança física de Gurgel com o humorista Jô Soares, o que o procurador detesta:

- Quero dizer ao procurador-geral da República que não resta nenhuma dúvida de sua honradez enquanto filho, pai, neto. Não resta dúvidas quanto ao seu caráter. O senhor é gentil, lembra até um pouco o jeito do Jô Soares.

O advogado de Jefferson disse acreditar que o julgamento será um "festival de absolvições":

- E alerto a imprensa: se este tribunal, cumprindo seu trabalho, concluir, como eu defendo, que a prova não permite condenações, digam ao povo que isso foi coisa do procurador-geral da República, que não fez o seu trabalho. Aliás, se recusa a fazer seu trabalho. Aquilo que a lei manda que ele faça em 15 dias, faz mais de ano que ele não fez. Isso sem falar no caso Demóstenes-Cachoeira, em que ficou três anos sentado em cima da investigação. Não é admissível.

Criticou ainda o pedido feito por Gurgel de que os condenados sejam presos imediatamente, antes mesmo da apresentação de recursos.

- Ele sabe que não tem provas, faz um pronunciamento que viola a lei (pedindo a prisão imediata) Ele está se dirigindo a quem? A este tribunal? Não, não. Está se dirigindo à galera, ao povo que quer sangue. E sangue não poderá ser oferecido sem base na prova. Então, Sua Excelência quer jogar o povo contra o tribunal.