Título: Investimento estrangeiro de US$ 8 bi foi recorde para julho
Autor: Valente, Gabriela
Fonte: O Globo, 24/08/2012, Economia, p. 30
Brasileiros gastaram menos no exterior, com câmbio desfavorável
BRASÍLIA Mesmo com a crise internacional, em julho o Brasil superou as expectativas da equipe econômica e recebeu US$ 8,4 bilhões em investimentos estrangeiros diretos, a maior entrada para meses de julho desde que o Banco Central (BC) começou a registrar os dados, em 1947. O recorde no capital que entra para a ampliação da capacidade produtiva das fábricas instaladas no país foi acompanhado de outros ingressos relevantes.
A entrada líquida de dólares para aplicações em renda fixa - que ficaram negativas em US$ 199 milhões, em junho - chegaram a US$ 657 milhões no mês passado. Em agosto, os dados preliminares do BC mostram que, depois de fracos desempenhos, a Bolsa de Valores atraiu fortemente capital. O investimento em ações negociadas no Brasil foi de US$ 2 bilhões até o dia 21 deste mês.
- O capital lá fora está à procura de lugares que ainda conseguem crescer - analisou o economista do Banco Espírito Santo (BES) Flávio Serrano.
Consumo aquecido atrai capital
De acordo com o especialista, por mais que a perspectiva de crescimento da economia brasileira esteja em queda, o consumo continua aquecido, o que atrai investimentos produtivos. Serrano ressalta, no entanto, que a entrada de capital mais volátil, como para ações e renda fixa, aumentou porque houve uma diminuição de aversão ao risco no mundo inteiro:
- Se não piorar a situação lá fora, vamos continuar a ver a entrada de capital de curto prazo.
No caso específico dos investimentos estrangeiros diretos, a estimativa do BC era de um ingresso de US$ 7 bilhões no mês passado. Com o resultado mais robusto que o esperado, a autarquia deve aumentar a previsão para o ano, hoje em US$ 50 bilhões. Até julho, o país já recebeu US$ 38,1 bilhões, e a expectativa para o mês de agosto é que entrem US$ 4 bilhões.
- O país é um receptor de investimentos estrangeiros diretos, e isso evidencia o ambiente macroeconômico brasileiro. O investidor estrangeiro confia na economia brasileira - afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel.
Segundo o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, os investimentos cobrem com folga o rombo nas contas externas, que tiveram déficit em julho de US$ 3,8 bilhões, acima dos US$ 3,6 bilhões do mesmo período de 2011.
- A persistência dos investimentos diretos em patamar elevado e disseminado entre os setores da economia aponta a continuidade do financiamento dos déficits em conta corrente por meio da conta financeira - disse.
O resultado negativo aumentou, apesar do freio nos gastos dos brasileiros em viagens internacionais nas férias de julho. No mês passado, os turistas deixaram lá fora US$ 2 bilhões, queda de 10% ante o mesmo mês de 2011.
Turistas não deixaram de viajar
Para o BC, essa diminuição poderia ser até maior, já que o que mais influencia o comportamento dos viajantes é o câmbio. Nas férias de julho do ano passado, o dólar estava bastante favorável para viajar: R$ 1,56. Já no mês passado, a cotação não era tão atraente, estando a R$ 2,03. Mesmo assim, o turista não desistiu de visitar outros países, como se esperava.
- Essa conta é muito sensível ao câmbio. Esperávamos uma queda até maior, mas a renda continuou crescendo - justificou Maciel.