Título: Oi faz ligações gratuitas, mas poucos orelhões funcionam
Autor: Nogueira, Danielle; Ribeiro, Efrém
Fonte: O Globo, 06/09/2012, Economia, p. 25

Em Belford Roxo, um terço dos aparelhos estava quebrado. Em Salvador, metade. As ligações são gratuitas, mas o difícil é achar orelhão que funcione. Repórteres do GLOBO percorreram três cidades nas quais, por determinação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a Oi deve liberar os orelhões para ligações locais sem cobrança. E encontraram antigos problemas, como telefones mudos e depredados. Nas ruas de Belford Roxo (RJ), Teresina e Salvador, foram testados 171 aparelhos. Em Belford Roxo, quase um terço dos 32 orelhões testados estava quebrado. Na capital baiana, 53 dos 129 aparelhos testados não funcionavam, ou quase metade. A pior situação foi em Teresina, onde não foi possível ligar de graça de nenhum dos dez orelhões testados, embora todos estivessem operando.

A determinação para liberar a cobrança das chamadas locais abrange 2.020 municípios atendidos pela Oi e foi uma punição aplicada pela Anatel por descumprimento das metas do Plano de Revitalização da Telefonia de Uso Público e por descumprimento do número mínimo de orelhões. A decisão é válida até 31 de outubro, para as cidades que se enquadram na primeira situação, e até 31 de dezembro, nos municípios que carecem de orelhões.

Em teresina, chamadas não completam

No Estado do Rio, o único município agraciado com a gratuidade foi Belford Roxo, devido à má conservação dos telefones. O GLOBO esteve no Centro e nos bairros de Heliópolis e das Graças. Dez dos 32 orelhões testados estavam quebrados. A situação mais crítica foi na Praça Getulio Vargas, no Centro: cinco de 11 telefones não funcionavam. Na Avenida Heliópolis, um orelhão na altura do número 608 só tinha a estrutura. O aparelho, segundo moradores, foi removido esta semana para conserto.

- Quando cheguei aqui no início da semana o aparelho tinha sumido. Mas também não faz falta, porque estava sempre quebrado - disse Fabrício Silva, dono de uma loja de suplementos alimentares próxima ao orelhão e que prefere usar o celular para se comunicar.

Nos 22 orelhões que estavam funcionando foi possível fazer a chamada local gratuita. Mas quase não se via gente nos telefones, pois os moradores desconheciam a decisão da Anatel.

Em Salvador, os problemas apresentados nos 53 dos 129 orelhões testados iam da falta de fone de ouvido a fios arrancados. Os repórteres estiveram na rodoviária, no Fórum Ruy Barbosa, na Praça da Piedade, entre outras localidades. A pior situação foi a da Praça da Piedade, onde dez dos 12 orelhões testados não funcionavam. Segundo a Anatel, dos mais de 11 mil telefones públicos da capital baiana, pelo menos até esta semana, 712 estavam em manutenção.

Em Teresina, o GLOBO testou dez orelhões em nove bairros e no Centro , entre eles aparelhos localizados no aeroporto e no Troca-Troca (ponto turísticoo). Em seis deles, o interlocutor atendia o telefone, mas a chamada era cortada imediatamente após ele dizer "alô". Nos quatro restantes as ligações sequer foram completadas.

A Oi informou que "está fazendo a checagem na rede de orelhões e, caso sejam constatadas eventuais falhas que resultem em cobrança indevida, estes desvios serão corrigidos e a gratuidade, nestes casos, será estendida após o término do prazo previsto". No caso de Belford Roxo e Salvador, a empresa disse que a recuperação dos orelhões "já está em curso". Informou ainda que a partir do próximo dia 9 publicará anúncios sobre a gratuidade das ligações nos principais jornais dos 2.022 municípios.