Título: BC indica fim do ciclo de cortes da Selic
Autor: Oswald, Vivian
Fonte: O Globo, 07/09/2012, Economia, p. 24

Ata da reunião do Copom diz que, se houver nova redução, será menor

Depois de cortar os juros básicos da economia por nove vezes consecutivas, o Banco Central (BC) reforçou ontem que a onda de reduções chegou ao fim. Esse é um dos principais recados da Ata da 169ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que diminuiu, na semana passada, os juros para o novo patamar histórico de 7,5% ao ano. O documento identifica pressões inflacionárias, o que, por si só, justificariam a mudança, mas deixa a porta aberta para um último corte, caso a economia não se acelere conforme o esperado. Mesmo assim, deixa claro que o ajuste seria menor.

Segundo o BC, "considerando os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, que em parte se refletem na recuperação em curso da atividade econômica, o Copom entende que, se o cenário prospectivo vier a comportar um ajuste adicional nas condições monetárias, esse movimento deverá ser conduzido com máxima parcimônia".

- Provavelmente, a Selic não vai cair mais porque tem a chamada recuperação à vista - disse o ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas Gomes.

O BC admite choques de oferta de curto prazo, que atribui a eventos climáticos, domésticos e externos, mas afirma que os sinais são favoráveis para prazos mais longos. E destaca que a inflação de serviços segue em níveis elevados e há pressões localizadas no segmento de alimentos e bebidas. Apesar de pressões remanescentes, o Copom acredita que o nível de utilização da capacidade instalada da indústria se encontra abaixo da tendência de longo prazo e "está contribuindo para a abertura do hiato do produto e para conter pressões de preços".

Na avaliação do Copom, o ambiente externo é "complexo", com riscos elevados para a estabilidade global. Isso porque não enxerga solução definitiva para a crise europeia.

Para o economista Silvio Campos, da Consutoria Tendências, a ata aponta para a manutenção dos juros, ou mais uma queda, que, se vier, seria de 0,25 ponto percentual, para 7,25% ao ano.

- O BC mostrou confiança de que a inflação ainda continua numa trajetória rumo às metas. Na nossa visão, não é o mais provável, porque o quadro inflacionário tem sinais de piora - disse Campos.