Título: Para empresários, tarifa menor fará indústria mais competitiva
Autor: Leitão, Míriam
Fonte: O Globo, 12/09/2012, Economia, p. 26

Fiesp, no entanto, estuda ir à Justiça contra renovação de contratos.

O pacote de redução das tarifas de energia foi, em geral, bem recebido pelos empresários devido ao impacto econômico que terá no parque industrial nacional. Para Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, presidente da Firjan, a medida foi um gigantesco avanço, uma vez que o governo Dilma havia acenado com uma redução média de apenas 10% das tarifas e a redução anunciada chega a 28% para alguns segmentos da indústria.

- Algumas indústrias que pagam mais pela energia, como a de alumínio, estavam ameaçando ir para o Paraguai - disse Gouvêa Vieira.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a queda de 28% na tarifa de energia reduzirá em até 4% o custo fixo de produção da indústria brasileira e dará um impulso para que as empresas voltem a investir.

- A medida aumenta a competitividade da indústria e estimula o investimento, porque reduz preços e faz com que o empresário tenha mais confiança em produzir e gerar emprego no Brasil. Teremos um produto mais competitivo no mercado nacional e internacional - disse o presidente da CNI, Robson Andrade.

Já a Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), embora também tenha comemorado as medidas, fez ressalvas. O diretor de infraestrutura, Carlos Cavalcanti, disse que a entidade estuda recorrer à Justiça diante da decisão do governo de renovar os contratos em vigor, em vez de deixá-los terminar para que as concessões fossem leiloadas e disputadas por todos os operadores do país. Cavalcanti chamou a medida de casuística, pois tem "endereço e CNPJ" específicos como alvo.

- Certamente, a redução das tarifas seria ainda maior em função da disputa - afirmou o diretor.

Para Franklin Feder, presidente da Alcoa, que havia ameaçado fechar a fábrica no Brasil, a medida ajuda a segurar a produtividade no país.

eliminando incertezas

O empresário Jorge Gerdau Johannpeter, presidente da Câmara de Gestão do governo, destacou que a medida do governo dará competitividade a novos investimentos:

- Em muitos projetos eletrointensivos, como alumínio, indústria petroquímica e setor eletrosiderúrgico, onde a energia realmente pesa muito, vai ser um elemento definidor. Ter energia competitiva é um fator definidor de investimentos - afirmou Jorge Gerdau.

Já a Associação Brasileira das Indústrias de base (Abdib) anunciou, por meio de nota, que a redução das tarifas se traduzirá em mais competitividade e reforçará tanto a segurança jurídica quanto a estabilidade regulatória para as empresas do setor elétrico.

Para Paulo Godoy, presidente da entidade, a decisão de renovar as concessões de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica próximas do prazo de vencimento - agora anunciada oficialmente - reforça o modelo regulatório setorial e elimina algumas incertezas que pairavam sobre o mercado brasileiro.

- As empresas com ativos nessas condições terão como se planejar e tomar decisões de longo prazo - disse o presidente da Abdib.