Título: Do choro ao sorriso, Freixo diz que campanha foi vitoriosa
Autor: Caballero, Miguel; Bruno, Cássio
Fonte: O Globo, 08/10/2012, País, p. 5

Com mais de 900 mil votos, candidato do PSOL vê conquistas apesar do 2º lugar

Não teve segundo turno, mas Marcelo Freixo (PSOL) diz que se considera um vitorioso na eleição carioca. Ao reconhecer o triunfo de Eduardo Paes (PMDB) nas urnas, citou os motivos que o fazem festejar sua participação: a presença de muitos jovens em sua campanha, a expressiva votação para um partido pequeno e com pouca estrutura eleitoral e a consolidação do PSOL como principal força do campo de esquerda e de oposição à hegemonia do PMDB no Rio nos últimos anos.

Na Lapa, onde havia feito o maior comício da campanha, ele comentou ontem à noite a derrota:

- Foi uma campanha vitoriosa. A gente sabia que seria difícil um segundo turno porque houve uma polarização (entre ele e Paes) já no primeiro. Isso dificultou a votação dos outros candidatos - avaliou Freixo, para em seguida desejar sorte ao prefeito reeleito. - Desejo sorte ao Paes. Que faça um governo que possa acertar. Temos que ter a grandeza neste momento. A cidade está acima das nossas diferenças.

Preferido de 914.082 eleitores, Freixo ressaltou a expressividade deste número diante das dificuldades que enfrentou. Ele venceu em apenas uma zona eleitoral da cidade: em Laranjeiras e Cosme Velho, onde superou Paes por 48,2% a 43,7%.

- A gente não tinha estrutura de campanha. Tinha uma precariedade de material grande, mas foi a escolha que nós fizemos. Ter cerca de 30% dos votos mostra que a gente acertou mais do que errou. O Paes fez uma aliança pra lá de questionável - afirmou, ao final da longa jornada de ontem.

O último dia de Marcelo Freixo como candidato a prefeito começou cedo, e de forma emotiva. Ele acompanhou o voto do deputado federal Chico Alencar (PSOL), a quem chamou de "minha referência na política". Alencar recupera-se de uma cirurgia cardíaca na qual implantou quatro pontes de safena, no último dia 25.

Liberado pelos médicos para ir votar, Chico Alencar, que teve de se afastar da reta final da campanha, comoveu-se por ter podido participar da eleição. Em entrevista junto de Freixo, os dois choraram.

- Viria mesmo se o médico proibisse. É um voto "tetra ponteado", por um Rio mais solidário e igualitário. Estou emocionado e feliz - disse Alencar.

- Eu estava esperando chorar só à noite, mas o Chico rompeu o combinado. Fizemos a campanha que queríamos, dos nossos sonhos. Isto mostra que a política se faz também com afeto, emoção, e não apenas com ódio ou indignação - declarou Freixo.

"Não perdi. Pessoalmente, cresci"

Sua inconformidade apareceria pouco depois, quando foi votar no Clube Paissandu, no Leblon, ao meio-dia, e acusou os institutos de pesquisa de subestimarem propositalmente sua projeção de votos nas últimas semanas para "criar a sensação de que a eleição já estava decidida" a favor de Paes.

À tarde, Freixo deixou a rotina de candidato. Dispensou assessores e os seguranças que o acompanham desde que passou a sofrer ameaças de milicianos, após presidir a CPI das Milícias na Alerj, e levou a mulher, Renata, e a filha, Isadora, de 14 anos, para almoçar no shopping Leblon. Sentado com as duas numa mesa do restaurante Outback, já se permitia falar sobre o resultado que conheceria à noite.

- Essa eleição, eu ganhei. Não perdi, não. Consolidamos o PSOL no Rio. Pessoalmente, cresci. Aprendi muito sobre o Rio. E reforcei a convicção de fazer política da forma como nós fazemos - disse, enquanto almoçava e recebia cumprimento de eleitores.