Título: Na televisão, Serra ataca com mensalão; Haddad cita renúncia
Autor: Ribeiro, Marcelle ; Amorim, Sílvia
Fonte: O Globo, 16/10/2012, País, p. 5
Tucano ainda critica gestão do petista no Ministério da Educação
No primeiro dia de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão no segundo turno, o candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, fez diversos ataques ao seu adversário, Fernando Haddad (PT), passando do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) e chegando aos problemas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no período da gestão de Haddad no MEC. No programa de Haddad, o petista diz que foi vítima de "golpes baixos" no primeiro turno e voltou a abordar a desistência de Serra do mandato de prefeito para concorrer ao governo do estado em 2006.
O tucano usou o horário gratuito para dizer que o PT quer usar as eleições para esconder o julgamento do mensalão.
- Agora o PT está concentrando as suas forças e virou ponto de honra eleger o meu adversário aqui em São Paulo. Eles querem usar a eleição de São Paulo como cortina de fumaça para esconder as condenações do mensalão. Isso é errar de novo. Nossa cidade não pode ser usada assim - disse Serra, que chamou o mensalão de "atentado contra o povo".
O Enem foi usado pela campanha de Serra para afirmar que Haddad não fez uma boa gestão no Ministério da Educação (MEC). O petista é apontado como o candidato "que só fez lambança no Enem". Serra ainda criticou a gestão de Marta Suplicy em São Paulo.
Ontem à noite, Serra lançou seu programa de governo. Haddad foi chamado de "candidato com muletas" pelo ex-governador Alberto Goldman, um dos colaboradores do programa tucano.
Já o programa do petista teve depoimentos da presidente Dilma Rousseff e do candidato do PMDB derrotado no primeiro turno, Gabriel Chalita, mas chamou a atenção pela ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No primeiro turno, Lula foi o apresentador do programa de Haddad no rádio e agora Lula só aparece no programa de TV em algumas imagens ao lado de Haddad.
Haddad agradeceu os votos recebidos e disse que "apesar dos golpes baixos" que ele sofreu no primeiro turno, o povo acreditou nas propostas dele. O programa de TV voltou a abordar a desistência de Serra do mandato de prefeito para concorrer ao governo do estado em 2006. A campanha petista exibiu vídeo feito em 2004 em que Serra prometia governar São Paulo por quatro anos e outro feito em 2011, em que o tucano diz que não seria candidato a prefeito. "Dá para acreditar?" pergunta o apresentador do programa de Haddad.
Em depoimento, o candidato derrotado do PMDB à prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, pediu votos para Haddad e disse que os dois, professores, se uniram para mudar São Paulo.
- O Haddad incorporou ao seu plano de governo muitos dos projetos que eu vinha defendendo. Vou estar de corpo e alma, de coração e cabeça nessa campanha. Haddad vai ser um grande prefeito para São Paulo - afirmou.