Título: Fidelidade a toda prova ao réu condenado do mensalão
Autor: Sasse, Vinicius
Fonte: O Globo, 14/10/2012, País, p. 6

Secretária de Educação coordena campanha de irmão de Delúbio.

O irmão do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares já ficara duas vezes na suplência, em 2004 e 2008. Desta vez, com a campanha coordenada pela secretária de Educação, foi o petista mais votado para a Câmara de Goiânia, com 6.811 votos. Carlos obteve votos principalmente de servidores da Educação. No prédio da secretaria comandada por Neyde, carros estacionados ainda estão com adesivos da candidatura do irmão de Delúbio. A secretária não quis receber a reportagem do GLOBO.

- Sobre Delúbio, eu não falo. Tudo que deveria ser dito está na nota divulgada nesta semana pelo PT - disse Neyde, que sempre atuou ao lado do ex-tesoureiro.

Nas investigações sobre a máfia dos vampiros, por exemplo, um relatório da Polícia Federal (PF) reproduz fotos de uma festa de aniversário em que aparecem lobistas da indústria farmacêutica e alguns petistas, como Delúbio e Neyde. Os lobistas e Delúbio são réus num processo em curso na Justiça Federal em Brasília, por supostos desvios no Ministério da Saúde denunciados em 2006. Neyde aparece nas fotos, sem qualquer relação com o esquema.

A coordenação da campanha à reeleição do prefeito Paulo Garcia coube a um "compadre" de Delúbio, o petista Osmar Magalhães. O ex-tesoureiro do PT, em função do escândalo do mensalão, manteve-se distante. Na linha de frente estava um de seus principais aliados em Goiás.

- Eu não quero falar sobre eleições, não quero falar sobre Delúbio. Não sei onde ele está - afirmou Magalhães.

O irmão do ex-tesoureiro também ocupou cargos na gestão de Paulo Garcia. O último foi o de diretor de coleta seletiva do órgão municipal responsável pela gestão do lixo produzido em Goiânia. Petistas goianos contam que Delúbio se dedicou integralmente à campanha de Carlos e nem chegou a participar da montagem da chapa dos outros vereadores. Defensores do ex-tesoureiro estão entre os financiadores da campanha de seu irmão, que declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a intenção de gastar R$ 1 milhão na campanha. As receitas declaradas até setembro foram de R$ 167 mil.

O GLOBO esteve na casa do candidato, num setor de classe média alta em Goiânia, incluída na declaração de bens ao TSE. Carlos declarou que o amplo imóvel vale R$ 21,5 mil. Em 2008, uma casa no mesmo setor - não há detalhes do endereço para saber se se trata do mesmo imóvel - foi incluída na declaração de bens com o valor de R$ 95 mil. O vereador eleito não estava em casa e não retornou as ligações da reportagem.