Título: Economia da China desacelera pelo 7 trimestre e cresce 7,4%
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Fonte: O Globo, 19/10/2012, Economia, p. 36
Dados de indústria, varejo e investimento, porém, indicam retomada.
Pelo sétimo trimestre seguido, entre julho e setembro, a economia da China desacelerou. O Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) cresceu 7,4% no terceiro trimestre ante o mesmo período de 2011, informou o Escritório Nacional de Estatísticas. A taxa ficou aquém da meta do governo (7,5%) pela primeira vez desde 2009. Mas outros dados divulgados ontem indicaram uma recuperação em curso. Os números de produção industrial, vendas no varejo e investimento ficaram ligeiramente acima das estimativas, sugerindo que a economia poderá acelerar no último trimestre, quando uma transição de liderança ocorre no governo chinês. O crescimento anual foi de 7,7% nos nove primeiros meses do ano.
ESTÍMULO PODE AJUDAR BRASIL
A expansão está de acordo com o esperado por analistas ouvidos pela agência Reuters. — Tivemos crescimento de 7,7% em setembro, dando sólido fundamento para alcançar a meta de crescimento do ano todo — disse o porta-voz da consultoria NBS, Sheng Laiyn. Investimentos em ativos fixos subiram 20,5% entre janeiro e setembro ante o ano anterior; as vendas no varejo em setembro cresceram 14,2% na comparação anual; e a produção industrial subiu 9,2%. Para Priscila Godoy, economista da Rosenberg Associados, é possível encontrar sinais de estabilização e mesmo de recuperação na China com os dados divulgados ontem: — Além deles, o anúncio de diversas medidas de estímulo nos últimos meses pelas autoridades chinesas, para incentivar o consumo interno, torna o mercado mais otimista em relação à China. O pior já passou. Para o Brasil, bastante dependente do país, as perspectivas são positivas, disse Priscila. — A demanda interna da China mais forte significa para o Brasil mais vendas — disse ela, acrescentando que as duas economias tendem a se tornarem complementares, não mais competitivas. O crescimento de 7,4%, que seria comemorado por muitas economias, representa forte desaceleração para a China, país onde o PIB cresceu 9,2% em 2011 e teve taxa média anual de cerca de 10% por três décadas.