Título: Governo adota Plano para criar 2.400 vagas para médicos
Autor:
Fonte: O Globo, 22/10/2012, Desafios Brasileiros, p. 10

Encolhimento: Ideia é suprir carência de profissionais nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

A queda da participação de médicos no total de diplomados no país, deve-se, em parte, aos males e sacrifícios da profissão, afirma Sidney Klajner, vice-presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein e principal condutor de um projeto de atração e integração do hospital. Para fazer frente ao "apagão" de médicos, o Ministério da Educação anunciou um plano de expansão que prevê a criação de 2.415 vagas para formação de médicos, das quais 1.615 serão em instituições federais.

As vagas serão concentradas em regiões onde há carência de profissionais de saúde, sobretudo no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste do país. Segundo a demografia médica levantada pelo Conselho Federal de Medicina, há 1,9 médico para cada mil habitantes. A meta é elevar a relação a 2,5 médicos. Em Portugal, o nível é de 3,9; na Alemanha, 3,6; na Argentina, 3,1; e, no Uruguai, 3,7.

- Temos agora nas universidades os jovens da chamada geração Y, que primam muito pela qualidade de vida - afirma ele, que tem como principal objetivo reter jovens talentos para trabalhar no hospital. - Apesar de a carreira de medicina proporcionar um bom salário frente a outras, é preciso primeiro muita dedicação nos estudos para ingressar em uma boa instituição e, depois de formado, tem de se fazer muitos plantões para alcançar um bom rendimento.

O programa coordenado por Klajner tem como principal intuito atender à demanda desses novos profissionais. Para isso, além de uma remuneração condizente com o número de horas trabalhadas, oferece-se a possibilidade de atuar no hospital também como pesquisador e educador. A ideia é atrair os melhores oferecendo, também, melhores condições.

- Queremos profissionais felizes, que não tenham de migrar de plantão a plantão para conseguir sobreviver - diz.

A pediatra Mariana Nudelman Frayha, de 31 anos, conta que viu muitos amigos cogitarem seguir a carreira e depois desistirem. A área da medicina é conhecida por ser uma das menos rentáveis e com maior carência de profissionais. Mas ela sabia que cedo ou tarde seguiria os passos do pai, também pediatra. Desde pequena, sempre que podia, a jovem pegava seus livros escondidos e passava horas analisando as diversas doenças que poderiam acometer crianças.

- Acho que nasceu ali minha paixão pela profissão - diz ela, que não se arrepende da escolha. ( C.N. )