Título: Na reta final, as estratégias de Serra e Haddad
Autor: Lima, Maria; Uribe, Gustavo
Fonte: O Globo, 26/10/2012, País, p. 6

Petista liga adversário a Kassab; tucano mantém tática de propagar caos na Saúde e ligar PT ao mensalão.

A três dias do segundo turno em uma das disputas mais acirradas do país, o tucano José Serra e o petista Fernando Haddad já elegeram suas armas para a reta final da eleição na capital paulista. Com a oscilação positiva de três pontos percentuais segundo o Ibope, e recuperação de eleitores no Centro e entre os evangélicos, Serra procurou manter o otimismo e acha que vai conseguiu desgastar Haddad ao propagar que, uma vez eleito, o petista vai acabar com as parcerias com Organizações Sociais de Saúde(OSs) na gestão da Saúde. Serra também decidiu centrar fogo no mensalão e na construção de creches.

- Há um sangramento evidente e essa ameaça de acabar com a parceria com as OSs foi um beijo na testa do Haddad. Ele não tem como responder e atinge 10 milhões de consultas a mais criadas desde a gestão da Marta Suplicy - declarou o deputado Valter Feldman (PSDB).

Já Haddad vai explorar três pontos fracos que podem aumentar a rejeição do tucano, sobretudo entre os eleitores indecisos, sobre os quais Serra tem crescido nas últimas pesquisas. No debate de hoje da TV Globo, o petista atacará a saída, em 2005, de Serra da prefeitura de São Paulo. Deve realçar a relação do tucano com o prefeito, Gilberto Kassab (PSD), cuja administração é rejeitada por 42% da população. E vai tratar do suposto esquema de pagamento de propina a agentes municipais, com o ex-diretor do Departamento de Aprovação de Edificações Hussain Aref Saab, para rebater os ataques ligados ao mensalão.

Serra começou ontem o dia com uma visita ao Instituto do Câncer (Icesp). Ali, aproveitou para dar a primeira estocada no mensalão. Ele associou a descrença dos eleitores ao exemplo negativo do mensaleiros, que tornaria as pessoas céticas.

- O mensalão é um exemplo tão negativo que pode levar muitas pessoas a se tornarem céticas na política. Basta ver o comportamento deles, de cumplicidade, de união entre eles. Os desempregados do mensalão estão tinindo para vir se alojar em São Paulo. Se o PT ganhar a prefeitura no domingo, eles já tem emprego garantido aqui em São Paulo - disparou Serra.

Na chegada ao hospital, Serra foi surpreendido por Ednalva Silva, bailarina que faz shows em São Paulo com o nome artístico de "Mulher Berinjela", que tentou beijar o candidato na boca.

Ontem, Haddad criticou a proposta do tucano de aumentar o tempo do bilhete único, classificando-a como uma "cópia malfeita" e um "remendo" à sua ideia de criar um bilhete único mensal. O petista afirmou que Serra repete a estratégia de 2010, quando às vésperas das eleições anunciou medidas como o décimo terceiro salário no Bolsa Família.

- É uma cópia malfeita, ele não estudou esse tema. É um remendo da minha proposta.

Haddad recebeu o apoio de intelectuais, artistas e do volante do Palmeiras Marcos Assunção. Em visita à Academia Paulista de Letras, ganhou os apoios do cartunista Maurício de Sousa e da escritora Lygia Fagundes Telles. À noite, recebeu a adesão de Alceu Valença, Chico César, Gilberto Gil e do diretor José Celso Martinez Corrêa.