Título: Lucro da Petrobras cai 12%, para R$ 5,5 bi
Autor: Nogueira, Danielle
Fonte: O Globo, 27/10/2012, Economia, p. 35

Custos com pessoal e manutenção anulam parte do ganho com reajuste de combustíveis no 3º trimestre

Rio e São Paulo Depois de amargar prejuízo de R$ 1,3 bilhão no segundo trimestre de 2012, a Petrobras voltou ao azul no terceiro trimestre, com lucro líquido de R$ 5,567 bilhões. O resultado, porém, foi 12,1% abaixo do ganho obtido entre julho e setembro de 2011 (R$ 6,336 bilhões) e veio abaixo do piso das estimativas dos analistas. O mercado esperava lucro líquido entre R$ 5,89 bilhões e R$ 9,28 bilhões.

A empresa atribuiu o lucro obtido no terceiro trimestre, entre outros fatores, aos reajustes da gasolina e do diesel realizados entre junho e julho, que somaram 7,83% e 10,2%, respectivamente. Além disso, o câmbio mais estável favoreceu o desempenho. Por outro lado, o aumento dos custos operacionais - relacionados a gastos com pessoal, decorrentes do Acordo Coletivo de Trabalho 2012, e com manutenção - freou o ritmo dos ganhos, na avaliação de analistas. Os gastos com pessoal somaram R$ 875 milhões no terceiro trimestre, e os custos com poços secos e comerciais alcançaram R$ 1,893 bilhão. O valor é alto, porém menor que o do segundo trimestre.

"A reversão do resultado do trimestre anterior está relacionada aos reajustes nos preços da gasolina e do diesel, realizados em junho e julho, com o aumento da produção de diesel em nossas refinarias, com os menores gastos com baixas de poços secos ou subcomerciais e estabilidade cambial", disse a presidente da Petrobras, Graça Foster, em carta a acionistas e investidores.

No segundo trimestre de 2012, a valorização do dólar ante o real de 10,9% pesou negativamente no balanço, pois a empresa tem dívidas denominadas na moeda americana. Naquele trimestre, as despesas financeiras líquidas somaram R$ 6,4 bilhões. No terceiro trimestre, elas caíram a R$ 569 milhões.

No acumulado em nove meses, no entanto, a variação cambial continuou a pesar no resultado. O lucro líquido da Petrobras no período foi de R$ 13,435 bilhões, 52% menor que o registrado entre janeiro e setembro de 2011. De acordo com a empresa "o resultado foi diretamente impactado pela depreciação cambial". Além disso, o aumento das despesas operacionais (+22%) também contribuiu para a queda do resultado, principalmente devido a gastos com baixas de poços secos ou subcomerciais no segundo trimestre.

Os reajustes do diesel e da gasolina também tiveram impacto positivo sobre o faturamento. A Petrobras teve receita líquida de R$ 73,793 bilhões, 16% acima da cifra registrada no terceiro trimestre de 2011 (R$ 63,554 bilhões) e acima da expectativa de analistas. Na projeção de Luiz Caetano, analista da corretora Planner, o crescimento seria de 15%, para R$ 72 bilhões. Nos nove primeiros meses do ano, a receita subiu 16%, para R$ 207,974 bilhões. A geração de caixa, porém, caiu 14%, para R$ 41,495 bilhões em nove meses.

O aumento da demanda do mercado doméstico fez a Petrobras elevar a importação de petróleo e derivados. Foram importados 822 mil barris por dia, principalmente de gasolina. O volume é 14% superior ao do segundo trimestre e 0,8% acima do terceiro trimestre de 2011. Em nove meses, o aumento foi de 4%. Se considerados apenas os derivados, como gasolina e diesel, a alta no ano foi ainda maior, de 7%.

Caetano, da Planner, destacou que, mesmo com o crescimento das importações, o resultado foi beneficiado com o nível de preços do petróleo no mercado internacional. No terceiro trimestre, a cotação média do Brent (tipo de petróleo usado como referência nos contratos) cresceu apenas 1,5% comparado ao trimestre anterior.

A produção total de petróleo no terceiro trimestre foi de 2,523 milhões de barris por dia, queda de 2% em relação ao segundo trimestre e de 2,2% em relação ao terceiro trimestre de 2011. Segundo a empresa, a produção diminuiu devido a paradas para manutenção. Considerando a produção nacional (2,281 milhões de barris/dia) , a queda se manteve em 2% ante o terceiro trimestre de 2011.

Ibovespa cai 0,97%; dólar sobe

A expectativa em torno do balanço fez as ações da Petrobras subirem ontem, impedindo que o Ibovespa, principal referência da Bolsa de Valores de São paulo (Bovespa) tivesse ontem uma queda mais forte. O índice fechou em baixa de 0,97%, aos 57.276 pontos. O resultado foi puxado para baixo pelos papéis ordinários (ON, com direito a voto) da OGX, controlada pelo grupo de Eike Batista, que caíram 5,47%, a R$ 4,50. Em contrapartida, as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras subiram 1,60%.

A agência de classificação de risco Fitch Ratings avaliou que o aporte de US$ 1 bilhão que o empresário Eike Batista pretende fazer na OGX tem, até o momento, caráter indefinido. Segundo a Fitch, o aporte pode ter efeito tanto positivo quanto negativo sobre a qualidade do crédito da empresa, dependendo do que a OGX decidir fazer com estes recursos.

Na semana, o Ibovespa perdeu 2,79%, a maior queda semanal em quase um mês. A alta no ano foi reduzida a apenas 0,92%. Já o dólar comercial fechou a R$ 2,027, alta de 0,09%.

- O mercado brasileiro tem operado descolado do exterior. O investidor está cauteloso com os balanços. Até agora, apenas o balanço da Vale veio melhor do que no esperado. Na Europa, dos balanços divulgados até agora, 40% vieram abaixo do esperado. Nos EUA, foram 30%. O número do PIB americano veio melhor, mas não mostra uma tendência de crescimento mais forte da economia - analisa Luiz Roberto Monteiro, da corretora Renascença.