Título: Dilma e petista tratam da renegociação de dívida
Autor: Uribe, Gustavo; Roxo, Sérgio
Fonte: O Globo, 30/10/2012, País, p. 6

Capital paulista tem débito de R$ 40 bilhões com a União; prefeito eleito encontra Lula.

Comemoração. Fernando Haddad encontra com o ex-presidente Lula no Instituto Cidadania em São Paulo.

O primeiro compromisso oficial do prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, foi um encontro com a presidente Dilma Rousseff, ontem pela manhã, no Palácio do Planalto. Em 40 minutos de conversa, o prefeito eleito agradeceu o empenho e o carinho da presidente na campanha. E aproveitou para tratar de um dos temas mais importantes para as finanças da cidade de São Paulo: a dívida de R$ 40 bilhões com a União.

Na saída do Planalto, ele disse que todo apoio em uma eleição é importante, mas afirmou que Lula e Dilma foram fundamentais para a vitória do PT em São Paulo:

- Eles são figuras centrais no cenário nacional. (Lula) é um conselheiro de todos nós - afirmou o prefeito eleito, que no final da tarde se reuniu em São Paulo com o ex-presidente, ausente anteontem na festa da vitória.

transição de alto nível com gestão de Kassab

Haddad disse que conversou amenidades com a presidente, mas afirmou que eles falaram da renegociação da dívida da capital, um processo que já estava em curso pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD). A dívida de São Paulo com a União chega a R$ 40 bilhões, e o pagamento mensal compromete 13% das receitas do município. Kassab já apresentou uma proposta de reduzir os juros pagos hoje ao governo federal, de IGP-DI mais 9% ao ano para IGP-DI mais 6% ao ano, reduzindo o percentual de comprometimento da receita.

- Não entramos em temas específicos, tangenciamos esse assunto. Esse assunto é presente nas nossas conversas, mas há também os investimentos federais que pretendo levar para São Paulo - afirmou o petista.

Haddad afirmou que pretende estabelecer "uma transição de alto nível" com Kassab, que apoiou o tucano José Serra. E diz acreditar que sua experiência na Esplanada o ajudará na administração da maior cidade do país:

- Eu passei por dois ministérios, Planejamento e Educação. Conhecer como a máquina federal funciona poderá ser muito proveitoso.

Depois, Haddad voltou ao Ministério da Educação (MEC), onde era titular até janeiro passado, para um encontro com seu substituto, Aloizio Mercadante. O clima no MEC era de euforia.

- Completaremos 174 creches que não foram construídas, são R$ 250 milhões e agora vamos trabalhar por essa parceria. Vai ter mais educação, vai crescer muito - afirmou o ministro Mercadante.

Depois do encontro com Dilma, em Brasília, Haddad viajou para São Paulo, onde fez visita de 45 minutos ao ex-presidente Lula, que saiu de cena no dia da vitória para não ofuscar o afilhado. Não foi ao café da manhã oferecido pelo petista a aliados, nem à festa da vitória.

Segundo petistas, Lula deve ter papel decisivo na composição do governo de Haddad, com a definição dos postos que serão ocupados pelos partidos aliados.