Título: Setor pode ter sido afetado por consumo antecipado
Autor: Batista, Henrique Gomes; Justus, Paulo
Fonte: O Globo, 02/11/2012, Economia, p. 23
Para economista do IBGE, inadimplência também influenciou
rio e SÃO PAULO O economista André Macedo, do IBGE, avalia que parte do resultado negativo de setembro na indústria pode ter sido causado pela alta inadimplência e pela antecipação de compras de eletrodomésticos e automóveis, produtos beneficiados com a redução do Imposto sobre Produtos Industriais (IPI). Segundo ele, a alta na produção de veículos, que acumulou expansão de 9,2% entre junho e agosto, recuou 0,8% ontem.
- Muita gente antecipou a compra, pois o benefício da redução do IPI acabaria no fim de agosto, mas foi depois prorrogado para outubro e, mais recentemente, para o fim do ano - afirmou.
Em setembro, houve queda na fabricação de automóveis, porém cresceu a produção de caminhões, setor beneficiado por um programa de juros reais negativos em crédito do BNDES iniciado no fim do mês. Para Leonardo Carvalho, do Ipea, os dados mostram que ainda não houve a inflexão da indústria:
- O cenário internacional e a inadimplência podem ter feito com que as medidas de estímulo do governo, que em geral levam de seis a oito meses para surtir efeito, tenham uma defasagem maior.
Os resultados divulgados ontem pelo IBGE reforçam a expectativa dos empresários de que a indústria deve registrar neste ano a primeira queda anual de atividade desde a crise econômica de 2009.
Fiesp vê queda de 2,5% no ano
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estima que a produção industrial feche 2012 com uma retração de 2,5% em relação ao ano passado, depois de ter crescido 0,3% em 2011 e 10,5% em 2010.
- A participação da indústria de transformação no PIB vai cair de 14,6%, no ano passado, para 14% neste ano - disse Paulo Francini, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos da entidade.
Para diretor da Fiesp, a economia já dá sinais de recuperação neste último trimestre e a expectativa é que o PIB em 2013 varie entre 3% e 3,5%. Mas essa reação, até agora, tem se mostrado menos forte do que a previsão inicial.
- Esperávamos uma reação mais rápida e vigorosa.
De acordo com José Velloso, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o setor deve fechar o ano com queda de 3,2% no faturamento.
- Nosso maior cliente é a própria indústria, que parou de investir em máquinas a partir do segundo semestre - disse ele. (Henri que Gomes Batista e Paulo Justus)