Título: Indústria cai 1% e analistas reveem PIB para baixo
Autor: Batista, Henrique Gomes; Justus, Paulo
Fonte: O Globo, 02/11/2012, Economia, p. 23
Retração do setor em setembro, apesar dos estímulos do governo, foi o dobro do previsto pelo mercado
RIO E SÃO PAULO A indústria brasileira interrompeu uma sequência de três meses de alta e voltou a registrar queda na produção em setembro. Segundo o IBGE, a retração foi de 1%, o dobro do esperado pelos analistas do mercado que, agora, já começam a prever um crescimento da economia brasileira mais fraco no último trimestre e também em 2013. Além de mostrar que o setor industrial ainda patina, apesar de tantos estímulos, os números divulgados ontem pelo IBGE podem levar à manutenção dos juros básicos da economia no atual patamar por mais tempo, preveem economistas.
- A produção industrial de setembro foi marcada por um comportamento negativo, com uma recuo de 1% sobre agosto, e com um perfil generalizado de taxas negativas, pois 16 das 27 atividades mostram queda - afirmou André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE.
no ano, Queda é de 3,5%
Ele afirmou, porém, que parte da magnitude da queda de 1% na produção industrial do mês pode ser causada por um efeito do calendário, pois em setembro foram apenas 19 dias úteis, contra 23 em agosto e 21 em setembro do ano passado.
Segundo o economista Eduardo Velho, da Planner Corretora, o resultado da indústria influenciou para que ele reduzisse a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) de 2013 de 3,74% para 3,25%.
Além da produção industrial, Velho cita a piora no cenário global como outro fator para a mudança na projeção. O economista prevê que a taxa básica de juros da economia, Selic, permanecerá nos atuais 7,25% até meados de 2014.
A Austin Rating revisou para baixo a estimativa da produção industrial em 2012, de uma queda de 2,1% para uma retração de 2,6%. O economista da consultoria, Felipe Queiroz, disse que a queda em setembro ainda não justifica uma revisão para a projeção de crescimento da economia como um todo neste ano, que para a Austin será de 1,7%. Caso os próximos meses comprovem uma desaceleração do setor, Queiroz não descarta cortes na Selic no início de 2013.
Por conta do resultado da indústria, o Itaú já prevê que o crescimento do PIB no último trimestre pode ficar abaixo de sua atual projeção, de 1,3%.
Segundo o IBGE, a produção industrial de setembro caiu 3,8% frente ao mesmo mês do ano passado. No acumulado no ano, o índice negativo é de 3,5% e, nos últimos 12 meses, a redução está em 3,1%, a maior queda desde janeiro de 2010.
O maior impacto na redução da produção industiral foi causado por Máquinas e Equipamentos (queda de 4,8%), seguido de outros produtos químicos (queda de 2,2%).