Título: Para BC, Brasil retomou o crescimento
Autor: Oswald, Vivian
Fonte: O Globo, 09/11/2012, Economia, p. 32
Boletim mostra recuperação no terceiro trimestre, com impulso do mercado de crédito
O Banco Central (BC) considera que a atividade econômica retomou o crescimento no terceiro trimestre deste ano, apesar dos efeitos de "um complexo ambiente internacional, que se transmitem para a economia do país via confiança, fluxos de comércio exterior e investimentos". O movimento de recuperação, que deve persistir em 2013, não ocorre de forma generalizada e acontece a ritmos distintos entre as regiões do país. Estas são algumas das conclusões do Boletim Regional do BC divulgado ontem.
Apesar das pressões inflacionárias, vindas sobretudo dos preços de alimentos, o BC afirma que o IPCA deve convergir para o centro da meta de 4,5%, ainda que "de forma não linear" até 2013. De acordo com o documento, a demanda doméstica tem ajudado o país a crescer. Um dos seus impulsionadores, o mercado de crédito, que chegou a dar demonstrações de perda de ritmo no primeiro trimestre do ano, voltou a aumentar a partir do segundo trimestre.
A expectativa é que o o setor tenha uma expansão moderada este ano e feche com uma alta em torno de 16%. Mas este movimento vem se mostrando mais forte nas regiões Norte e Nordeste do país, onde o crédito se manteve crescendo a 21,9% e 19,3%, respectivamente, no terceiro trimestre do ano. Nas regiões Sul e Centro-Oeste, contudo, o percentual voltou a cair no período. A redução chegou a 5,1% no Sul e 0,6% no Centro-Oeste.
taxa de emprego favorável
O boletim informa que as operações de crédito com valores superiores a mil reais tiveram alta de 3,7% no trimestre encerrado em setembro, refletindo acréscimo de 3,2% no crédito para empresas e de 4,3% para pessoas físicas. "A evolução dos estoques de crédito ocorre em contexto de relativa tendência de queda da inadimplência", segundo o documento. O aumento do mercado de crédito, na visão do BC, veio acompanhado de uma trajetória favorável da taxa de desemprego, apesar do desaquecimento na oferta de postos com carteira assinada no terceiro trimestre deste ano.
A menos de dois meses do fim do ano, o BC adotou mais uma iniciativa com o objetivo de ampliar o mercado de crédito e as fontes de financiamento dos bancos médios. Foi publicada ontem medida que traz novas condições para a aquisição de carteiras de crédito no mercado financeiro. A partir de agora, as instituições financeiras poderão abater do compulsório (recursos retidos no BC) a compra de carteiras de crédito de bancos cujo passivo tenha 20% de seu valor em depósitos a prazo e Letras Financeiras (LF). Até agora, a exigência valia apenas para depósitos a prazo.
A medida foi adotada para reforçar a estratégia do governo de estímulo ao mercado de crédito e de incentivo às Letras Financeiras, uma modalidade de investimento defendida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, como nova alternativa para o mercado, em um momento em que os juros básicos da economia estão mais baixos. De acordo com dados do BC, até o fim de setembro, o estoque de LFs no mercado era de R$ 220 bilhões.
A novidade foi vista com bons olhos pelo mercado.