Título: Campos, do PSB, ataca política fiscal de Dilma
Autor: Krakovics, Fernanda
Fonte: O Globo, 01/12/2012, País, p. 11

Em encontro partidário em clima de campanha pela candidatura própria à Presidência da República, ontem, o governador Eduardo Campos (PE), presidente nacional do PSB, criticou a política de desonerações promovida pelo governo federal, que tem impacto na receita de estados e municípios. No seminário para os 443 prefeitos eleitos, Campos ainda fez críticas indiretas à falta de capacidade do Palácio do Planalto de promover um entendimento nacional sobre os royalties do petróleo.

Embora Campos não admita abertamente suas pretensões eleitorais para 2014, e tenha dado essa orientação para o partido, a base do PSB não fala em outra coisa. O evento ocorreu em um ambiente de euforia pelo crescimento de 42% da legenda nas eleições municipais de outubro. O PSB foi o partido que conquistou o maior número de capitais, cinco.

Em sua palestra, o governador Eduardo Campos defendeu a compensação aos estados e municípios por renúncias fiscais dadas pela União e criticou a forma como as políticas de desoneração foram implementadas:

- Precisamos começar políticas de desoneração que não sejam só para um segmento ou outro, porque às vezes um segmento impacta mais num Brasil e não impacta em outro Brasil. Se vamos fazer desonerações tributárias que vão ser carregadas nas costas sobretudo do Brasil mais profundo, a gente precisa também desonerar para a economia dessa área. Se vamos fazer desonerações tributárias, vamos fazer para todos.

apelo contra crise na Câmara

Porém, também disse que o PSB precisa ajudar a presidente Dilma Roussef a tomar atitudes para que a economia cresça mais.

- Estamos tendo um crescimento neste ano no Brasil menor do que nos Estados Unidos, onde está o centro da crise. Não é hora de eleitoralizar o debate brasileiro, não é hora de inventar brigas que não existem nem disputas que não levam a nada. Estamos na base da presidente Dilma, ajudamos a elegê-la, estamos ajudando a governar e vamos ajudá-la a ganhar o ano de 2013.

Em gesto que agrada ao Palácio do Planalto e ao PT, Campos trabalha para retirar a candidatura alternativa do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) à presidência da Câmara. Ele pretendia conversar com Delgado ainda ontem, em viagem a São Paulo, para pedir que ele desista de entrar no páreo.